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Sábado, Setembro 11, 2004

CAMISA DE FORÇA JÁ!

Sei que não terminei de contar sobre a Flip e nem falei da viagem. Tantas coisas aconteceram que perdi o fio da meada. Pelo menos dei uma atualizada no template. Mesmo assim, quero contar uma que me aconteceu no segundo dia após o retorno ao Rio de Janeiro. Voltei com força total...

Era sábado à noite e tinha combinado de sair com a Tati e a Carol. Carol estava em um jantar com uma outra amiga, a Clarice, e todas iríamos juntas para um festival de música eletrônica no Catete. Marcamos um horário e passei na casa da Tati para pegá-la. Depois fomos para a portaria do prédio da Clarice para encontrar com ela, a Carol e mais uma amiga da Clarice, Fernanda.

Quando chegamos, elas ainda estavam a caminho, mas não demoraram muito. Clarice chegou com Carol e pararam o carro na garagem. Fernanda parou o carro em frente ao prédio, mas ficou com receio de deixá-lo ali por conta da sabida falta de segurança da área. Sendo assim pediu para que a acompanhássemos até sua casa (era caminho) para que deixasse seu carro na garagem e depois fosse conosco no meu. Até aí tudo bem. Sempre tem o "até aí tudo bem"...

Continuando... É claro que concordei com a sugestão da moça e fiquei aguardando que ela saísse com seu carro para que eu pudesse seguí-lo. Enfim, num típico e freqüente momento de memória de peixe, logo que ela saiu na minha frente, esqueci completamente que deveria seguí-la e fui dirigindo calmamente como se nada estivesse acontecendo. Não precisou passar nem um quarteirão para que eu me desligasse totalmente da realidade e inventasse uma só minha. Ninguém desconfiava do tilt mental que acabara de me acometer.

Na Auto-Estrada Lagoa-Barra, na bifurcação entre o Leblon e o Jardim Botânico, perguntei para onde devíamos ir. Clarice respondeu tranqüilamente, pensando que eu tinha me perdido do carro da Fernanda. Durante o caminho fui perguntando para onde ir e as respostas todas vieram como a primeira. Na última é que me lembrei que deveria estar seguindo a guria.

Eu: Pra onde agora?
Clarice: Entra aqui à esquerda e pára ali no posto. Acho que aquele carro ali é o dela esperando a gente.

Assim que vi o carro tomei um susto e gelei por dentro com a tamanha falta de sanidade que me ataca cotidianamente. De fato eu não lembrava estar seguindo a Fernanda, mas o pior é que todas as perguntas em relação à direção que fiz foram direcionadas a ela, como se ela estivesse no meu carro! Eu podia jurar que ela estava no carro comigo, Carol e Clarice. Lógico que isso não faz o menor sentido, mas deixei há muito de achar que qualquer coisa na minha cabeça faz sentido.

Postado por Maria de Fatima às 19:18
Solta o verbo!



Terça-feira, Setembro 07, 2004

Tenho muitas histórias para contar, mas as circunstâncias têm me impedido. De qualquer maneira, vim aqui tentar recomeçar ou, ao menos, continuar.

Passando por um momento de crise em várias áreas da vida, tenho tentado evitar situações de possível conflito. Adianta evitar alguma coisa? Quando tem que acontecer, é inevitável.

No domingo, mais uma vez caí aqui em casa. Me estabaquei toda no chão após mais uma pequena decepção. Logo antes de sair para um compromisso naquela tarde, levantei do computador e fui me pendurar numa barra que havia na porta do meu quarto. Tinha me esquecido de que a segurança da barra era precária e fui com tudo para me elevar. Com tudo foi a queda de joelhos no chão segurando a barra com as duas mãos. Drama, dor e sangue.

Poucos momentos mais tarde, mais problemas. Fiquei séculos tentando parar o carro em uma ladeira muito íngreme até que chegou uma moça pedindo que eu retirasse o meu carro para que ela, que mal deve ter freqüentado a auto-escola, pudesse sair com o dela. Depois de completada a saga do estacionamento, tive dificuldades de sair do carro por causa da inclinação da rua e a porta se fechou na perna que tinha ficado mais danificada após a queda de minutos antes. Não preciso dizer que fiquei com aspecto de mulher que sofre abusos em casa. Uma amiga disse: "Pô, Fátima, você parece um moleque de 10 anos de idade!" Pena que tantos acidentes não sejam fruto de momentos divertidos.

Na segunda planejei fazer coisas amenas. Tenho tentado fazer apenas coisas suaves, calmas, de gente idosa mesmo, para relaxar a cabeça e o corpo cansado e açoitado. Acabou que, para variar, uma reunião bizarra às dez e meia da noite brotou e desisiti de pôr os pés para fora de casa antes disso. Fui para a tal reunião com os coleguinhas. Chegamos um pouco antes da hora justamente porque tínhamos mais o que fazer depois ou simplesmente precisávamos nos desligar do mundo. Cada um com a sua restrição. O rapaz com quem tínhamos a tal da reunião não chegava nunca. E terminou por não chegar mesmo. Lá por volta da meia-noite nos falamos por telefone e decidimos remarcar. Não é preciso dizer que ficamos um tanto frustrados. Normal, acontece.

O que não devia acontecer foi depois. Ficamos conversando um tempo sobre maneiras de resolver uns problemas aí e depois levei uma coleguinha em casa. Eu e o outro coleguinha estávamos bem para baixo e decidimos comer uma coisa qualquer em uma loja de conveniência de posto de gasolina. Rodamos a Lagoa inteira em busca de uma que tivesse um podrão mais decente e que tivesse o menor número de pessoas possível. Acabamos em uma a que costumamos ir sempre quando ensaiando na casa de um colega ali perto. Lá tinha Bob's. Fizemos o nosso pedido e fomos comer no carro justamente para evitar qualquer contato humano.

Repito: tem coisas que não dá para evitar.

De repente chega um carro e estaciona do nosso lado. Não sei bem por quê, mas eu e meu amigo sentimos uma coisa ruim no ar. Foi aí que o mané na carona do outro carro abriu a porta com violência em cima do meu. Educadamente, mas com firmeza, fiz uma reclamação procedente sem utilizar nenhuma palavra de calão. O homem, que estava visivelmente bêbado, ficou resmungando e me xingando de tudo que era nome e foi para a loja de conveniência. Um amigo dele tentou ser simpático conosco brincando e pedindo desculpas pela grosseria do colega. O outro lá, estava possuído pelo demônio. Achou que eu estivesse reclamando com o amigo dele e voltou de onde estava para me xingar ainda mais. Meu amigo mostrou o dedo para ele. O cara ia e voltava até que a gente resolveu terminar nossa refeição com os vidros do carro fechados. Foi então que ele se reaproximou demais e parecia que a qualquer momento resolveria entrar no carro do amigo dele de novo com a mesma delicadeza de antes. Dei a partida imediatamente com a tranca ainda no câmbio só para me afastar o mais rápido possível daquele estorvo. Só então é que removi a tranca e segui o caminho de casa.

E sim, ele arranhou o meu carro. Eu sou uma puta, piranha, babaca, cachorra e vagabunda porque estava quieta no meu canto até o maldito momento em que o imbecil resolve que há coisas que, como a luz, não ocupam lugar no espaço.

Eu mereço mesmo... cada farpa que me entra na pele, cada tropeço, cada pancada, cada grosseria que me fazem, cada falta de respeito, consideração e reconhecimento.

Definitivamente a culpa é toda minha. Só minha.

Postado por Maria de Fatima às 10:50
Solta o verbo!