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Sexta-feira, Julho 23, 2004

MAIS DA FLIP

Anda tão difícil arrumar tempo para escrever aqui... Quem dera ao menos eu estivese desfrutando da minha qualidade de turista que ainda sou por aqui. Felizmente estou atolada em trabalho, ou melhor, em processos seletivos de trabalho. Fico a maior parte do tempo trancada em casa na frente do computador. Da rotina só mudei a locação mesmo.

Continuando o assunto Flip...

Quinta-feira era o primeiro dia da oficina do Milton Hatoum. Eu e o Chris acordamos mais cedo do que queríamos pelas razões que já descrevi antes. Fomos para a cidade encontrar com nossos coleguinhas. Encontramos com o JP no bar Coupê, que fica na Praça da Matriz. Comemos alguma coisa e nos dirigimos para a Casa de Cultura, o local da oficina. Na mesma rua, a Dona Geralda, em um bar chamado Bartholomeu, encontramos uma pá dos nossos coleguinhas já se calibrando antes da aulinha. Sentamos ali para fazer uma hora. O Chris ficou rindo da nossa cara junto com o resto da galera que não ia participar da oficina e falou que aquilo tava mais para Escolinha do Professor Raimundo do que qualquer outra coisa, devido ao naipe dos selecionados (referindo-se a nosso núcleo, é claro). "Neguinho vai perguntar coisa do tipo: e o verbo de ligação?" Em referência a um dos flogs mais interessantes do planeta (MISTO ELEAZAR É REI) a Ciça mandou: "E aí, turmina do fundão... Esta é a letra X."

Chegada a hora de partir, a "turmina do fundão" foi para a sala de aula e obviamente sentou no fundão. Lá estávamos nós, os "jovens escritores", felizes e contentes, ansiosos pelo conhecimento que o Milton Hatoum teria para compartilhar conosco. Infelizmente nesse primeiro dia tivemos que conviver com o nível pré-alfabetização das perguntas de alguns colegas que atravancaram a discussão toda com pérolas como: "O que eu faço com o travessão?" "E as aspas?" É claro que a "turmina do fundão" não podia se conter e teve um surto coletivo de repúdio aos coleguinhas sem noção. A indignação generalizada atingiu outras áreas da sala e as pessoas não paravam de cochichar e franzir a testa em reprovação àquela tamanha expressão de ignorância. Depois da aula, combinamos de almoçar juntos. O pessoal que estava no bar foi encontrar com a gente na Casa de Cultura. Contamos a eles o que tinha se passado na oficina e a profecia de Chris se confirmou. Ficou aquele lance de "turmina do fundão" para lá e para cá até que eu falei que estava mais para "Turma da Lazinha". Alguém se lembra da novela Tititi? Foi neste momento que a "turmina do fundão", unida à turminha do bar, se transformou em Turma da Lazinha. E reinou, botando Paraty para quebrar até a hora de ir embora.

Fizemos uma peregrinação idiota até o restaurante em que decidimos assentar o rabo. Ninguém conseguia decidir onde comer e foram voltas e voltas até acatarmos uma sugestão alheia. Era um restaurante sueco na Praça da Matriz. O lugar era legal e tinha até um telão próprio passando as palestras. A comida, um espetáculo. Um lance estranho foi que tinha um cara com a gente o qual, em princípio, todos achavam que era amigo de alguém. Ele parecia muito enturmado e confiante, mas o fato é que ele tinha surgido quase que do nada. Coisas que acontecem por causa da internet. Havia uma sensação de estranhamento no ar, mas ninguém dizia nada. Daí foi uma crise de risos quando geral se tocou de que ele não era amigo de ninguém. Foi como naquele jogo de detetive no qual o assassino tem que piscar para as vítimas de modo a matá-las. Foi uma carnificina.

Daí para diante a turma da Lazinha ficou perambulando pelo centro histórico de bar em bar, saltitando sobre as mega-pedras seculares da cidade. Foi do lado de fora da sala de imprensa, esperando pelo marido de uma das Lazinhas, que o primeiro blecaute da noite ocorreu. Tudo ficou negro e não havia como fazer nada a não ser ficar parado ouvindo os sons e as vozes das pessoas. Momento "ensaio sobre a cegueira" trash. E viva "Transânia"! Os seguranças fecharam a sala de imprensa (que tinha gerador próprio) correndo e o restinho de luz que a gente tinha cessou. A sorte foi que, enquanto estávamos num dos bares durante aquela jornada, todos compramos miniaturas de latinhas de Skol que tinham luzinhas, mas não foram estas que salvaram a situação. De fato foi uma lanterninha tosca que a Ciça comprou do mesmo cara. Com ela pudemos nos juntar no mesmo ponto até a luz voltar de fato. Demorou um pouquinho, mas voltou.

Bom, o resto vai ter que ficar para o próximo post. O final da noite acumulou um punhado de pequenos fatos bigornais.

Postado por Maria de Fatima às 15:28
Solta o verbo!



Quinta-feira, Julho 15, 2004

NA FLIP

Faz tempo, né amigos?

Fui para a Flip e vim correndo para Portugal. Agora os tropeços são em terra lusa.

Finalmente estou sentada na frente do computador podendo escrever um pouco menos exausta. Imaginei que não passaria muito tempo sem conexão, mas umas coisas aconteceram na vinda para cá. Mas isso é história para depois.

Os saldos da Flip foram bons. Viajei com amigos queridos, encontrei gente boa por lá e conheci mais umas pessoas interessantes. É claro que as coisas ocorreram como só poderiam comigo.

O dia da ida para a Flip foi bem tranqüilo. Estava fazendo um sol lindo. Peguei as direções e as segui à risca. Por incrível que pareça não errei nada. A viagem nem chegou perto do que foi aquela para Paty do Alferes. A única pequena mancada foi na chegada. Ao invés de entrar na altura do km 574, como estava dito no mapinha das instruções para a minha pousada, entrei pela entrada principal. Isso foi bom para o JP que foi comigo e com o Chris no carro. Ele tinha alguma coisa para fazer no Centro Histórico e acabamos deixando-o lá. Um rapaz de bicicleta que paramos para pedir informações não sabia explicar o caminho ao certo, mas falou para que o seguíssemos. O seguimos até um ponto, mas pensamos que, de acordo com o mapa, deveríamos virar para a direita num local onde tínhamos que ter virado à esquerda. Ok, depois voltamos para a esquerda. O problema é que o mapa da pousada era muito simplificado. Ele teria servido muito bem ao seu propósito se tivéssemos entrado na altura do tal km 574, mas não era muito claro levando em conta o trajeto que fizemos. Perdemos um bom tempo indo e vindo até encontrar a pousada, mas no final conseguimos.

Apesar de ter sido uma viagem tranqüila e sem erros de percurso, foi um inferno porque eu estava "monstra", como diz minha amiga Claudia. Era muita dor nas pernas e nos rins. Estava destruída. Paramos em um restaurante na beira da estrada para almoçar e para que eu pudesse sair daquala posição estática que fazia piorar a minha dor apesar dos analgésicos. Além disso eu estava com uma dor mais específica na perna direita por conta de uma topada absurda que dei na mesa da sala lá de casa na vespera da viagem. A gente acha que conhece bem a casa onde mora... Resolvi fazer alguma coisa na área de serviço sem acender as luzes da sala. Ir até a área e fazer o que tinha que fazer não foi problema algum. Ruim mesmo foi a volta para o quarto. Andei normalmente ignorando a existência de uma enorme mesa bem na saída da área de serviço. Dei uma topada tão forte com a coxa direita que a mesa ultra pesada saiu do lugar. A dor foi tão forte que imediatamente me joguei no chão e fiquei me contorcendo por uns dez minutos. Tive dificuldade para me levantar por conta da gravidade do dano. O músculo da minha coxa se feriu e manquei até o dia seguinte. Imaginei que não fosse ficar roxo... E não ficou. Ficou foi preto mesmo e com uma elevação na pele. Pelo menos eu tinha uma pomada para esse tipo de trauma sempre sofrido por mim.

Voltando ao restaurante... Pedimos uma picanha, mas veio uma outra carne. Ok, essas acoisas acontecem. Não estava lá muito boa, mas deu para comer sem problemas. E não nos fez mal. Pagamos e retomamos o trajeto. Eu dirijo devagar, todos sabem, e na estrada fomos sendo ultrapassados por todo mundo que estava indo para o evento em Paraty. Se tivéssemos saído mais cedo, chegaríamos junto com quem saiu mais tarde. Pelo menos a prudência da minha lerdeza foi boa para evitar acidentes. No final do trajeto, após o restaurante, cheguei o banco do carro ainda mais para trás do que o de costume por causa das minhas pernas longas. Fui dirigindo praticamente deitada para conseguir acalmar a fúria da destruição promovida pelo meu próprio corpo. Fora isso, foi tudo bem.

Quando estávamos quase em Paraty, meu celular tocou. Era um cara para quem entreguei meu currículo e em cuja empresa fiz um teste bem aceito para trabalhar como tradutora uns quatro anos atrás. Durante esses anos todos ele elogiou o meu trabalho, mas não me ofereceu emprego nenhum. Daí, quando estou de viagem com volta marcada só para depois de um mês, o cara me liga na estrada me oferecendo o bendito trabalho!!! Posso com isso? Já estou acostumada. Levei numa boa.

Enfim chegamos e fizemos o check in na pousada sem problemas, ao contrário do que eu esperava. Imaginei que, apesar de ter confirmado tudo, chegaria lá e a reserva teria desaparecido. Ainda bem que não foi assim. Filhas de Murphy como eu antecipam problemas para sofrer menos.

Após arrumar as coisas, fomos explorar a cidade e encontrar as pessoas. A noite foi ótima. Gente legal, boa comida... Porém, ao retornar à pousada já de madrugada constatamos que havia um problema na decoração do pátio externo da pousada: o chão era coberto de pedrinhas. Até que ficou bonito, mas o barulho que aquilo fazia quando a gente andava era bizarro de tão alto. Toda madrugada nos sentíamos um pouco mal por conta de ser tão tarde. Tínhamos medo de acordar os vizinhos. Infelizmente os vizinhos não tiveram a mesma consideração, ou talvez se vingassem das nossas chegadas tão tarde acordando bem cedo e conversando em alto e bom som do lado de fora. As paredes e as portas eram meio como que de papel. A pior noite/manhã foi a primeira, a de quarta para quinta. Acordamos com uma obra e um cara que ficava passando para lá e para cá em frente à nossa janela, pisando naquelas pedrinhas barulhentas.

Bom gente, acho que isso aqui já está longo demais. Continuo numa próxima oportunidade.

Postado por Maria de Fatima às 20:21
Solta o verbo!

Já já retomo os posts. Minha vida está muito enrolada. Por favor me perdoem. Desde que cheguei aqui, e até no processo de vir, muitas bigornas cairam.
Postado por Maria de Fatima às 11:59
Solta o verbo!