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Quinta-feira, Junho 24, 2004
ALCIONE (cont.)
Um detalhe importante que esqueci de mencionar acerca do show da Alcione foi a aglomeração de artistas no palco antes do momento Carnaval do Maranhão.
Não sei ao certo em que ponto antes do momento carnavalesco isso aconteceu, mas creio que foi imediatamente antes. A Marrom, após receber o apoio amigo de Elba e Simone, se encheu de um sentimento fraternal muito forte e quis expressar sua gratidão convidando uma quantidade incrível de ilustres amigos que estavam presentes naquela noite. Simone, Elba, Lúcia Veríssimo, Carlinhos de Jesus, Belo - e uma pá de gente de quem não consigo lembrar agora (até porque tinha muita gente de quem eu nunca tinha ouvido falar) - subiram ao palco para receber um pequeno discurso de gratidão de Alcione.
O fato interessante da coisa toda foi que ficou aquela gente toda parada em pé no palco sem função alguma enquanto a cantora falava e em seguida cantava. Põe uns 15 minutos de ociosidade nisso. Até aquele povo todo subir e até ela proferir um comentário acerca de cada um, o tempo rolou. Quase aconteceram umas gafes à pastelão enquanto os convidados subiam pela frente do palco ajudados pelos seguranças. Se não me engano, a Lúcia Veríssimo foi a única que teve a brilhante idéia de subir por trás pela entrada do camarim, evitando assim o risco de um mico público maior do que o de ficar como um bibelô decorando o palco.
Postado por Maria de Fatima às 17:14
Solta o verbo!
Segunda-feira, Junho 21, 2004
Estes dias, observando e sofrendo os meus amigos, cheguei à conclusão (óbvia e já percebida por uma multidão de pessoas) de que os loucos do hospício são muito mais saudáveis e coerentes do que qualquer um de nós ditos normais.
Aqui vão alguns trechos de diálogos hipotéticos e simbólicos, ilustrativos do mundo bizarro ao qual pertenço:
[Eu] - Não posso te ensinar a ler, porque o texto está em uma língua, eu decodifico em outra e você compreende uma terceira. Depois o médico erra onde tem que passar o bisturi e a culpa é minha.
[Amigo bizarro] - Mas eu preciso ler este livro e você tem que me ajudar assim mesmo.
(...)
[Amigo bizarro] - Eu quero que você me traga vinte litros de azeite quente em garrafas de vidro, carregando tudo em apenas uma das mãos e pulando com um pé só, de preferência o que for oposto à mão na qual estiver carregando as garrafas.
Após muito sacrifício, chego com as garrafas intactas em uma mão e pulando com o pé oposto...
[Amigo bizarro] - Ih, não precisa mais não.
(...)
[Amigo bizarro] - Eu ia te pedir a tua casa pra morar. Conversei com o pessoal aqui da vizinhança e todo mundo concordou que eu preciso mais dela do que você. Nesta época do ano o sol bate de uma maneira que prejudica a disposição estética dos meus móveis. Sei que na sua casa a luz nesta estação favoreceria muito bem a configuração que eu escolhi pro meu mobiliário. Sendo assim, a gente decidiu que é melhor você sair mesmo. Só achei legal falar contigo antes...
(...)
E assim caminha a humanidade...
Postado por Maria de Fatima às 16:31
Solta o verbo!
Segunda-feira, Junho 14, 2004
ALCIONE
Sim gente, para quem ainda não sabe:
Sou muito fã da Alcione!!!!! Sempre tenho dificuldade de arrumar alguém para ir comigo aos shows, tanto que uma vez fui sozinha mesmo. Era a temporada do CD ao vivo. E foi inesquecível! O show foi impecável e vi de um lugar privilegiado no mesmo Canecão que sabota todo mundo.
Enfim, ontem era o último dia da curta temporada do CD Faz uma loucura por mim nesse tal de Canecão. A Silvia me ligou e me chamou para ir com ela. Fiquei a semana inteira cantando Minha estranha loucura na ansiedade de ver a Marrom ao vivo.
A pobreza anda imperando, então tivemos que comprar o ingresso mais barato: dois lugares nas temidas poltronas numeradas. Chegamos lá e o temor foi constatado. O lugar fedia muuuuuuuuuuuiiiiiiiito!!! Parecia que tinham lavado o chão com vômito e cerveja. As paredes e o teto estavam cobertas com uma crosta muito grossa de poeira e teias de aranha. O chão tinha o carpete lotado de negras placas de gomas de mascar. As tais poltronas são dispostas em fileiras longuíssimas e espremidas tornando impossível que uma pessoa que sinta necessidade de visitar o toalete não se esfregue e enfie a bunda ou a virilha na cara dos vizinhos. Era um tal de ficar pedindo desculpas toda hora por causa do incômodo.
Antes de o show começar, aquela "fotógrafa" pentelha do Canecão ficou ali tirando fotos das pessoas e nós tivemos algum trabalho para recusar a "gentileza".
O show começou e ficamos felizes de finamente ver a maravilhosa Marrom. Mais um problema das poltronas é que ficam posicionadas muito alto e a iluminação do show ficava o tempo todo pipocando na nossa cara. Teve uma hora em que eu não conseguia mais agüentar e fiquei com cara de cu tentando suportar o fritar dos meus neurônios.
O golpe de susto que Murphy deu na gente foi quando, por volta da terceira ou quarta canção, Alcione cochicha algo no ouvido do maestro (sim, a banda dela tem maestro e é super produzida) e a música cessou. Ela se dirigiu ao público pedindo desculpas e dizendo que não conseguiria continuar cantando. A voz dela realmente estava falhando muito. Disse então que deixaria a banda tocando alguma coisa até que ela voltasse. Simone e Elba saíram correndo para o camarim de modo a socorrer a amiga. Eu e Silvia nos entreolhamos sem crer no que estava se passando. Me levantei e aproveitei para ir ao banheiro. Quando saí do banheiro, o Belo (ui...) estava no palco cantando. Uma moça indignada falou em alto e bom som se dirigindo para a saída da casa de espetáculos:
- Eu me recuso a ficar aqui e ouvir esse cara cantar!!!
Assim que retornei ao meu lugar a Silvia estava no celular desabafando com alguém. Depois que terminou a ligação me disse:
- É, né... Eu só não vou aplaudir.
Então, quando terminou de cantar, o rapaz com implicações judiciais começou a falar para entreter o público na ausência de Alcione. Foi então que ela ressurgiu com a voz magicamente recuperada e interrompeu o discurso do cantor acerca do prazer e da dádiva que tinha sido gravar aquela música em parceria com a Marrom. Ela sugeriu então que cantassem novamente a canção juntos desta vez. Seria um presente para mim se houvesse como eu gostar do Belo.
O show foi continuando e gradualmente o problema da iluminação na localização das poltronas numeradas do inferno foi agravando minha situação cerebral.
Havia duas moças super empolgadas dançando descalças ao lado da gente. Eu fiquei extremamente nervosa porque elas estavam dançando naquele chão imundo. Aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhh!!!!!!!! Devem ter adquirido um bicho de pé de estimação ali. E sabe aquelas pessoas que dançam muito bem sem saber dançar? Tipo, elas dançavam todos os ritmos de forma diferente com uma inacreditável variação infinita de apenas dois passinhos pra cá e dois passinhos pra lá sem atravessar o tempo. Fantástico!
Sempre no show da Alcione tem um momento dedicado ao carnaval do Maranhão. Dessa vez infelizmente a única coisa que havia presente do carnaval do Maranhão era o figurino dos bailarinos. Era um tal de cantar marchinha de carnaval que não acabava mais. Sabe aquelas marchinhas que todo mundo sabe antes de aprender a falar? Era tudo o que eu não queria ouvir. E só parou no bis.
Estou até agora tentando lembrar o que foi que eu fiz esta semana para merecer tal punição no show de uma artista que gosto tanto.
... E não tenho ninguém para culpar.
Postado por Maria de Fatima às 17:51
Solta o verbo!
Quinta-feira, Junho 10, 2004
TROPECEI, CAÍ, ME DESPEDACEI
Gente, estou passando por uma terrível fase de branco. No pouco tempo que tenho disponível para escrever, sento na frente do computador com a cabaça vazia. Não é que eu não esteja mais tropeçando e vivendo tudo do meu jeito peculiar. O fato é que acho que estou com uma espécie de vírus que apaga a organização dos acontecimentos na minha cabeça e não consigo expressá-los textualmente de forma coesa e coerente.
Me desculpem se não posto há muito tempo. Vejo que as visitas despencaram por causa disso, mas infelizmente ainda não encontrei um antídoto para esse mal que me acomete.
Para que vocês tenham uma noção do drama, se alguém me pergunta o que fiz no dia anterior, geralmente não sei responder. Fico espremendo a massa cinzenta e parece que ela não está lá.
Obrigada pelo apoio e pela compreensão.
Postado por Maria de Fatima às 14:49
Solta o verbo!