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Quem?: Maria de Fatima
Quando?: século passado
Por que?: terapia ocupacional


Bom dia!









Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004

Dizem que se deve começar as coisas com o pé direito para ter sucesso. Coitado do meu pé direito. Imagino que se o ditado fosse o contrário, eu provavelmente estaria sem pé agora. Dizem que começar as coisas com o pé esquerdo é ruim. Nisso eu até acredito, porque o meu pé esquerdo sofre tanto quanto o direito.

O pior dos traumas foi quando eu tinha no máximo uns dez anos e minha mãe me pediu para pegar alguma coisa no banheiro. Com toda a energia característica daquela idade, eu não fazia nada se não fosse correndo. Saí desembestada pela casa e tive a infelicidade de topar com o dedo mindinho na quina da coluna da passagem para o corredor. A catástrofe foi absurda. Com a topada, a pele entre meus dois dedos menores rasgou e os separou ligeiramente um do outro. Além disso caí de cabeça na parede do corredor. Foi um estrondo que se sentiu na casa toda. Fiquei com um galo homérico na testa e pouco sangue no corpo.

Como o rasgo não foi muito profundo, não foi preciso dar pontos. O problema é que na época eu fazia natação e nunca faltava, nem doente, até porque era muito raro eu ficar doente. Tive que nadar na água cheia de cloro, sentindo o líquido um tanto corrosivo passar pela fenda entre os dedos. É claro que nenhum curativo dura muito tempo debaixo d'água.

Torci umas duas vezes o tornozelo esquerdo e tive um problema com um prato uma vez. A moça que cozinhava aqui em casa não gostava de mim, era nítido. Então um dia fui pegar um copo no armário acima da pia e esbarrei num prato de carne que estava mal colocado na bancada. O prato caiu bem na unha do meu dedão esquerdo e se espatifou. Detalhe: Devia ter uns 500 gramas de carne naquele prato e se tratava de um Duralex. Saí da cozinha me contorcendo de dor e a malvada da mulher que me detestava gratuitamente se acabou de tanto rir. Tive que ir ao médico para ver se não havia acontecido nada de grave e para furar a unha de modo a eliminar o sangue que foi liberado com o trauma. Por conta disso a unha caiu e tenho uma leve micose até hoje na que cresceu no lugar.

O último incidente foi relativamente recente. Deve fazer uns dois anos no máximo, acho que menos até. Eu estava raspando as pernas no box quando, do nada, escorreguei e caí imprensando os dois dedos menores do pé direito contra a parede. O resultado foi uma luxação sinistra que me fez mancar por um bom tempo e algumas sessões de fisioterapia. Até hoje o movimento do dedinho é um pouco comprometido.

Postado por Maria de Fatima às 12:41
Solta o verbo!



Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004

Estou de volta. Quarta-feira de cinzas no mundo bizarro.

Choveu bastante neste Carnaval.

Enfim o dia terminou.

...

Sei que faz tempo que não conto nada aqui, mas ainda não consigo. Quero apenas fazer um convite a vocês para que visitem o recém reformulado Frases Defeito, um antigo blog meu que estou reativando junto com meus três maravilhosos amigos Carol, Christiano e Tati. Lá vocês vão encontrar momentos ímpares da nossa criação intelectual. Divirtam-se!

Postado por Maria de Fatima às 12:25
Solta o verbo!



Domingo, Fevereiro 22, 2004

Não estranhem se eu demorar um pouco a postar.

Estou aproveitando o Carnaval!!!

Beijos!!!

Postado por Maria de Fatima às 14:43
Solta o verbo!



Sábado, Fevereiro 21, 2004

É o seguinte: cliquem aqui que vocês vão encontrar muitos risos.

Bom Carnaval!

Postado por Maria de Fatima às 10:04
Solta o verbo!



Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004

Não consegui chegar aqui a tempo. Desculpa.

Acordei às quatro e quinze da manhã. São seis e cinco. Os minutos voam mesmo nessa situação de tentar matar o tempo. Quando a gente tenta matar o tempo, ele se arrasta e insiste em brincar com a nossa paciência. Talvez o tempo agora esteja passando tão rápido, mesmo que eu esteja querendo matá-lo, justamente para brincar comigo de alguma forma. Talvez voando veloz ele queira me deixar ainda mais cansada.

O que eu vou ficar fazendo enquanto isso? Ficar aqui sem ter o que dizer preenchendo espaço na tela do computador e entediando vocês? Tentar forçar os olhos a fecharem? Exercício de respiração?

O que começou no domingo à noite não terminou. Na verdade acabou de começar e até agora parece que estou vivendo o mesmo dia.

Será que ainda não acordei?

Nem o videolog seria capaz de pôr linha em tudo o que está acontecendo. E eu não iria querer mostrar nada disso mesmo.

Desculpem se hoje não trago risos.

Ninguém é de ferro.

Prometo que da próxima vez tento trazer cor ao invés de bolor.

Postado por Maria de Fatima às 06:21
Solta o verbo!



Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004

Até amanhã, espero...
Postado por Maria de Fatima às 16:27
Solta o verbo!



Terça-feira, Fevereiro 17, 2004

DADÁ + ASSALTO NO RIO DE JANEIRO

Temos weblogs e fotologs. Está na hora de criar os videologs. Com toda a sinceridade não tenho como contar aqui a quantidade surreal de coisas absurdas que me aconteceram no domingo e na segunda enquanto estive com meu grande amigo e parceiro Christiano. Ficamos enfurnados durante dois dias na casa dele trabalhando, mas estar em um recinto fechado não adiantou para evitar que dadá se manifestasse em nossas vidas. As duas rápidas vezes em que estivemos fora de casa para comer e resolver uns problemas estruturais do trabalho então, nem se fala. É por isso que não vou contar nada do que aconteceu. Não dá. Só vendo mesmo. Não consigo concatenar as idéias na minha cabeça para formar uma narrativa linear. Isso só seria possível com o vídeo. Eu deixaria a câmera ligada direto e depois faria a edição dos melhores momentos para vocês entenderem como o impossível sempre é possível. Estes dois dias precisavam muito de um videolog.

Já que não dá para falar do fim de semana, vou começar com uma talvez série de posts sobre os assaltos que sofri no Rio de Janeiro, minha terra, meu lar.

Perdi a conta de quantas vezes fui assaltada. A maior parte dos assaltos, sofri na adolescência. Quando você se encontra em uma mesma situação repetidas vezes, você acaba ganhando experiência ou simplesmente reagindo de forma diferente. Posso dizer que comigo a coisa funcionou das duas formas.

Fui assaltada pela primeira vez aos quatorze anos em um ponto de ônibus em Ipanema ao acompanhar uma amiga. Eu era metal naquela época: anéis de caveira e o escambau. Um moleque descalço e mais baixo do que eu exigiu que eu entregasse meu relógio a ele sob a ameaça de me dar uma facada. Duvido que ele estivesse até com uma gilete. Enfim, uma faixa amarela se desenhou nas minhas costas e, apavorada, estendi meu braço para que ele levasse o relógio. O safado o arrancou do meu pulso e saiu correndo. Fiquei arrasada durante semanas.

A partir daí, cada novo assalto ia fazendo acumular em mim um poder homicida mais para suicida mesmo. Uma banca que monto e me assusta hoje em dia. Temo por mim se por acaso sofrer uma situação perigosa de novo. Mas antes de me transformar na vingadora do apocalipse, continuei sendo a covardona com muito amor pela vida.

Teve uma ocasião em que o assalto aconteceu e não aconteceu. Eu devia ter uns quinze ou dezesseis anos e estava indo comprar ingressos para um festival de rock, claro. Estava vestida de metal from hell. Toda esfarrapada, com uma camisa do Metallica que quase fazia parte do meu corpo e, se não me engano, de coturnos. Apesar da aparência ameaçadora, um casal de pivetes sujos, malvestidos e assustadores me abordou e falou para que eu desse a eles todo o meu dinheiro. Gelei porque estava cheia da grana no bolso da jaqueta. Fiquei apavorada. O moleque tinha cara de psicopata e a garota também. Ela estava com uns anéis de caveira com pinos do tipo dos que eu usava, mas tenho certeza que não era por fins decorativos. Pareciam dois ogros saídos de um filme de fantasia. Para piorar, a garota devia estar com algum problema, porque estava com uma das mãos dentro das calças e não parava de se coçar. Grotesco.

Eu só queria que aquilo acabasse o mais rápido possível, então abri o bolso do dinheiro para entregar tudo a eles. O bolso estava cheio de outros papéis também, então eu não conseguia encontrar a grana lá dentro de jeito nenhum. Eu tinha uns trocados em um outro bolso e dei esses trocados a eles. Pedi que esperassem porque eu ia achar mais dinheiro. Eu estava completamente descontrolada. Mexia e remexia no bolso da jaqueta e nada. Foi então que num dado momento o moleque me diz que era tudo uma brincadeira e devolve os meus trocados.

- E aí colega? Tu ficô co medo? Quá quá quá! A rente tava só brincano. Quá quá quá! Fica co medo, não, colega. Tu num tem uma rôpa velha em casa pra dá pra rente, não?

Ele terminou de perguntar da roupa e imediatamente pedi a ele que olhasse para mim naquele instante de modo que ele mesmo pudesse responder sua própria pergunta. É claro que eu não tinha nenhuma roupa velha para dar a ele. Todas as minhas roupas eram farrapos. Fala sério!

- Valeu então, colega. Quá quá quá quá quá!!!

Fui para casa com as pernas bambas e completamente confusa. Aliviada também, porque afinal eles não levaram nem um tostão do meu dinheiro. Será que eles estavam só treinando em mim? Que maluquice foi essa?

Quem é mais sem noção: eu ou os assaltantes?

Postado por Maria de Fatima às 10:33
Solta o verbo!



Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004

E mais um trabalho de última hora me tirou do ar...

Não me abandonem!

Postado por Maria de Fatima às 12:17
Solta o verbo!



Domingo, Fevereiro 15, 2004

Nossa tô me sentindo como se tivesse mais de cem anos. Saí para dançar na sexta e ainda estou quebrada. E olha que não enfiei o pé na jaca nem sexta nem sábado. Foram dois dias muito controlados, light. A urgência de melhorar meu condicionamento físico aumenta a cada dia. Parece que meu casal solitário de neurônios está de mal e se recusa a fazer as sinapses responsáveis pelo bom senso. Enfim, é isso aí mesmo.

Mas não vim aqui pra falar disso. Vim só para dizer que hoje não vai ser possível postar nada por falta de tempo mais uma vez.

Um beijo a todos e continuem me visitando!!!

Postado por Maria de Fatima às 11:07
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Sábado, Fevereiro 14, 2004

Para quem gosta de rock da melhor qualidade apartir da década de 80 até hoje, a boa pedida é ir à festa Love Cats. Estive lá ontem e me deliciei. Vale a pena conferir.

Hoje tô numa correria digna do realismo fantástico, então por hora é só.

Beijos!!!

Postado por Maria de Fatima às 12:38
Solta o verbo!



Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004

Eu tinha uma coleção de pedras... Lembrei disso depois de uma conversa com minha amiga Clarinha. Na verdade eu tinha coleção de tudo. Coleção de conchas que eu catava na praia, coleção de coisas da natureza em geral (folhas, gravetos, sementes, ...) coleção de latas de cerveja e refrigerante, coleção de selos, coleção de filipetas de festas e shows, coleção de caixas de cigarro, coleção de bibelôs, de coisas que eu achava na rua e outros afins igualmente estranhos. Sou uma guardadora compulsiva por excelência e ainda mantenho algumas dessas coleções. Tenho tentado me desfazer das coisas inúteis, mas é um bocado difícil, porque a minha mãe é uma guardadora muito mais obssessiva do que eu. Me desfaço de um objeto qualquer e ela vai lá e reaproveita para ela de alguma forma. Assim é muito difícil evoluir.

Eu me divertia muito com a minha coleção de pedras. Brincava muito com elas e me utilizava da minha criatividade um bocado fértil para transformar aquelas pedras nas coisas mais interesantes do mundo. Eu lavava as pedras de vez em quando num processo um tanto ritualístico. Eram meus minerais de estimação.

Eu catava tatuís na praia para depois soltar de novo. Catava grilos na roça da minha vó e os guardava em um pote de vidro. Alimentava os bichos por um dia ou dois e depois soltava no mato. Coleção de insetos vivos... Uma vez andei com um besouro sinistro dentro de uma caixa por alguns dias. Também dava comida para ele, só que teve o momento em que ele conseguiu romper a caixa de papelão e fugiu. Melhor para ele. Era um besouro com uns chifres, ou presas, não sei bem como chamar. E esses chifres de impressionante força servem para trucidar suas vítimas. Não é nada legal deixá-lo fechar suas armas em você. O sangue jorra. Ainda bem que isso nunca me aconteceu, mas meu pai uma vez quis mostrar para mim e para o meu irmão a força que o bicho tem e se descuidou. Coitado.

Engraçado é que as minhas coleguinhas na escola tinham coleção de papel de carta, lápis, canetas, borrachas, adesivos e coisinhas fofinhas e cheirosinhas... Eu não me interessava por nada disso. Todos os meus papéis de carta eram os que a minha amiga Dani me dava dos que ela tinha repetidos. Mas era justamente porque eu não tinha o tipo de coleção que elas tinham que valorizava ao extremo os únicos exemplares que eu tinha desse tipo de objeto. Isso porque essas coisas eram como uma marca necessária para a aceitação no corpo social. E aceitação foi uma coisa pela qual lutei desesperadamente até meu último dia de aula no segundo grau. Talvez tenha durado até mais do que isso. Era uma luta um pouco mal sucedida por conta da minha "joselitice". Dá para ver que é um assunto um tanto sério. É muito bom que as coisas tenham mudado. Parece que abriram o claustro onde eu me escondia dentro de mim mesma. Espetáculos do processo de desenvolvimento do ser humano. Ainda bem que o final até agora foi feliz. A minha coleção de amigos é uma delícia.

Postado por Maria de Fatima às 10:22
Solta o verbo!



Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004

Hoje preferi ficar aqui só pensando e lavando o recinto depois da operação retratada na foto postada ontem.
Postado por Maria de Fatima às 17:55
Solta o verbo!



Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004


Postado por Maria de Fatima às 17:37
Solta o verbo!



Terça-feira, Fevereiro 10, 2004

Estou vivendo o mesmo dia há muitos meses. A noção das coisas está bastante corrompida por conta disso. Ainda mais isso de trabalhar em casa... É enlouquecedor. Não é à toa que hoje almocei pipoca. Do nada me deu uma vontade estranha de comer pipoca. Uma panela inteira só para mim.

Então estou aqui agora me sentindo presa pelo corpo. Dá muito trabalho administrar um corpo e deve-se fazer muita força e calcular todos os movimentos. As pessoas comuns fazem isso de forma intuitiva, mas eu não consigo.

Por que flutuar é tão difícil?

Postado por Maria de Fatima às 17:52
Solta o verbo!



Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004

O dia começou dolorido hoje. Acordei para trabalhar numa tradução, sentei à escrivaninha e liguei o computador. À medida que fui precisando eu ia pegando os dicionários um a um. Numa dessas dei uma joelhada tão intensa na quina da mesa, que ela se moveu do lugar. Me taquei na cama para me contorcer de dor. Estou parecendo uma vaca malhada de tantas marcas pelo corpo. Aparentemente não sei o limite do meu corpo. Acho que me movo como se não tivesse corpo de fato. Parece que esqueço que sou mortal. Não estou a salvo nem quando estou quieta em casa fazendo coisas banais.

Será que vai cair uma bigorna do teto?

SERÁÁÁÁÁÁ?!?!

Postado por Maria de Fatima às 14:06
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Domingo, Fevereiro 08, 2004

Quando eu falo ninguém acredita...

Existe um imã que me atrai para situações que só acontecem comigo.

Na terça-feira fui comentar um fotolog e quando cliquei em postar, alguém tinha conseguido postar antes de mim, enquanto eu escrevia, e esgotou o limite de posts.

Então eu, Tati e Mel fomos para a casa de Roberta, uma amiga delas, e resolvemos todas pedir uma pizza.

Domino's Pizza: a pizzaria do inferno! Se alguém tiver a intenção de ficar louco, a boa é tentar conseguir completar um pedido em uma das filiais da Domino's na Barra da Tijuca. Depois que decidimos os sabores, Roberta ficou encarregadada de fazer a ligação para a pizzaria. Sem brincadeira, ela ficou no mínimo uma meia hora tentando fazer o pedido. A Domino's tem uma infeliz, ou tinha, já nem sei mais, a política de entrega mais imbecil que já vi. Ao invés de atender um bloco de vizinhança eles atendem um lado inteiro da Avenida das Américas, o outro lado fica por conta da outra filial. Alguém merece isso? Daí parece que eles inventaram de mudar isso e transferiram o cadastro da Roberta pra outra filial. Foi tanta confusão que não sei se era o cadastro da filial mais longe ou se era o da mais perto. Sei que a aflição foi se espalhando pela sala e a fome foi nos possuindo por dentro. Em um dado momento a tão preciosa ligação caiu quando ela estava finalizando o pedido. Foi uma comoção geral. Daí, quando ela ligou para lá de novo, nada do pedido tinha sido registrado. A fúria foi tão grande que parecíamos todas estar tomadas por uma possessão demoníaca. Foi então que Mel resolveu tomar conta da situação e pegou o telefone da mão de Roberta para tentar se impôr ao estrupício do outro lado da linha. Finalmente o pedido foi concluído com sucesso e com ele ficamos aliviadas.

E não pára por aí...

A flexibilidade de quem trabalha como freelancer e o meu modo de vida todo ao contrário permitem que eu me evada durante a semana. Sendo assim, fui para Angra na quinta para voltar no sábado. Enfim, o tempo estava lindo e quando chegamos lá o sol imperava fazendo quase tudo entrar em ebulição. Maravilha, é mesmo isso que se quer numa viagem para uma casa de praia. No primeiro dia resolvemos ficar só na piscina, planejando aproveitar o mar e a praia no dia seguinte. Vocês já devem ter uma idéia de como foi a minha incursão à piscina. É claro que eu tinha que tropeçar e ganhar mais hematomas para a minha coleção. Estou com um no calcanhar que até me atrapalha a usar sapato fechado. O que aconteceu durante a noite enquanto dormíamos? Um temporal desabou em todo o estado do Rio. Lá a tempestade era tamanha que nem deu para dormir direito por conta dos trovões. Para completar, faltou luz. Íamos fazer um belo passeio de barco, mas com a chuva e a falta de energia tivemos que ficar em casa. Fomos então fazer umas compras em Conceição. Supermercado Preçótimo... Espetáculo de nome para um supermercado. Ficamos em casa a sexta toda jogando conversa fora às voltas com as idas e vindas da energia elétrica.

No sábado, o dia do regresso, o sol ensaiou uma aparição. Nos animamos um bocado e fomos tentar dar um mergulho numa piscina de água salgada que tem no condomínio. Foi incrível: ao colocar os pés para fora da casa, começou a chover. Andamos um pouco e resolvemos voltar pelo fato de que a chuva estava engrossando. Sabem o que mais? Pusemos os pés em casa e parou de chover. Demos meia volta e insistimos com a natureza. Fomos afinal à tal piscina de água salgada. Ficamos lá rindo de tudo e fazendo pedras quicarem na água. Foi então que começou a chover de novo e voltamos para casa. Não havia mais o que tentar e era hora de voltar. Comemos e nos arrumamos para o regresso. O temporal desabou de novo bem na hora em que íamos sair. Beleza, não tem problema. A gente espera. Quando a chuva deu uma trégua a gente finalmente conseguiu pegar a estrada.

Mas a viagem foi ótima mesmo assim, afinal estar na companhia de pessoas queridas sana tudo.

Postado por Maria de Fatima às 12:36
Solta o verbo!



Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004

PÁRA TUDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Eu estava escrevendo mais um post para fazer rir quando uma amiga me dá a notícia de que Hilda Hilst, a minha fonte de inspiração mais intensa, morreu na madrugada de hoje por conta de uma estúpida e simples queda. Não vou me conformar com isso de forma nenhuma!

Alguns meses atrás a notícia de que ela não escreveria mais por causa do Mal de Alzheimer já tinha me causado um impacto interno muito grande. Definitivamente não foi bom começar o dia com essa notícia.

Ainda assim, não é dia de chorar. Minha homenagem é o riso. Hoje eu vou rir pensando na Hilda e vou viver a minha saudade.



Foto publicada em O Globo em 04/ 02/ 2004.

Postado por Maria de Fatima às 13:16
Solta o verbo!



Domingo, Fevereiro 01, 2004

Sábado foi um dia em que nada de mais aconteceu, porém passou quase como um sonho daqueles em que a gente tenta fazer as coisas mas não consegue, ou consegue no último momento como se algo nos nos puxasse sempre no sentido contrário de onde queremos chegar.

Tenho uma gata persa de onze anos com uma personalidade forte e desconcertante. Tiffany é seu nome. Ela sempre tem algum problema de saúde que no fim não resulta em nada. A última dela foi fazer greve de fome. Ela estava com um caroço de baixo da pata direita e houve suspeita de câncer. Graças a Deus os exames e uma biopsia aspirativa desfizeram esta suspeita. O problema é que enquanto estava sob a possibilidade de ter câncer o médico falou que era imperativo melhorar a alimentação dela. Foi aí que troquei a ração por uma outra que deu alergia nela. Então voltamos para a anterior, sem misturar a ração em pasta. Nunca vi um bicho tão difícil para comer. Ela ficou praticamente uma semana sem comer, sacrificando sua própria sobrevivência pelo prazer do sabor, ou pelo prazer de me sacanear mesmo. Um belo domingo o bicho acorda e se levanta andando com a cabeça quase colada ao chão. Ela estava tão fraca que não conseguia nem se locomover direito. Nem pular nos móveis a gata conseguia. Passava o dia esparramada no chão como se fizesse parte dele e com os olhos abertos, como quem não consegue nem dormir por conta da sensação desagradável de consumo do corpo. Acabei tendo que levar o bicho para fazer soroterapia. Três dias seguidos tive que me levantar exclusivamente para levá-la para tomar soro na veia.

O último foi o mais chato. Sábado de manhã... Ninguém merece. Ainda mais porque eu tinha chegado em casa por volta das cinco da manhã. Acordei fraca, porque afinal eu também ando tendo problemas para comer por conta da minha falta de organização mental que acaba me impedindo de ter tempo para isso ou de lembrar mesmo. Então fui carregando o animal pesado até a clínica. Cheguei lá e estava quase capotando de sono e cansaço. Tive que esperar quase uma hora para ser atendida por conta de uma emergência muito séria com um cachorro que tinha chegado antes. Quando fui finalmente atendida, achei que a coisa correria normalmente como nos dias anteriores, relativamente rápido. Foi uma loucura como aquelas gotas caíram na mesma velocidade dos dias anteriores, mas ainda assim demorou muito mais para que todo o conteúdo da ampola fosse absorvido pela corrente sangüínea de Tiffany. Foram quase duas horas para que aquele sofrimento terminasse. E como nas outras vezes, eu tive que ficar o tempo todo segurando a gata para que ela não dobrasse a pata. Foram quase duas horas revezando os braços. E a vontade absurda de encostar na maca e dormir. Não podia, tinha que ficar tomando conta das gotas hipnóticas que me davam ainda mais vontade de dormir e de me soltar do meu corpo.

Quando finalmente o processo terminou, eu estava completamente alucinada de falta de tudo na cabeça, sem saber direito quem eu era. Parei no balcão da clínica para pagar pelo procedimento e escolhi uma ração para a gata, porque em casa quase não tinha mais. Foi questão só do papel do cartão de crédito sair para que eu me esquecesse que tinha comprado a ração. Me despedi do pessoal da clínica e fui embora. Eis que uma outra cliente grita: "Não está esquecendo nada, não?" Daí a moça me estendeu a sacola e eu não conseguia lembrar o que era aquilo. Fiquei uns longos segundos olhando para a sacola sem ter idéia do que era aquilo, com uma cara típica de quem não sabe o que está acontecendo. Acabou que a ficha caiu e agradeci a moça por ter me lembrado da minha compra.

Saí da clínica umas duas e pouco e eu tinha aula no estúdio de gravação às duas em ponto. Nem adiantava sair correndo, até porque eu não conseguiria mesmo. Cheguei à portaria do meu prédio e chamei o elevador. Ele não descia de jeito nenhum. Esmurrei a porta e nada de o negócio descer. Daí chegou uma outra moradora e ficamos mais um tempo esperando, até que resolvemos pedir ao porteiro que verificasse o que havia acontecido. Ele subiu as escadas e ficou lá um século. Gritamos por ele através da janela do elevador e ele não respondeu. Brincamos que havia um buraco negro e que ele estava sugando tudo e todos que passavam por ele. Daí gritamos de novo e o rapaz respondeu que não estava conseguindo encontrar o elevador. Ele devia estar preso entre dois andares.

Lá fui eu então subir sete andares com a gata pesada e energia nenhuma para gastar naquele momento. No final da subida quase me desfiz. Larguei o bicho em casa e instruí meus familiares para cuidarem dela. Saí correndo para o carro em direção à aula. Cheguei quase uma hora atrasada. Dei sorte de não ter perdido muita informação. Era uma aula de duas da tarde às sete da noite, então não teve muito problema.

A aula acabou às sete e vinte e eu tinha comprado ingresso para ver Mullholand Dr. no Vivo Open Air. Não sei porquê, mas estava registrado na minha cabeça que o filme era às nove. Eu estava louca de pressa para ir embora, porque queria ir em casa tomar banho e comer alguma coisa, já que não tinha comido nada e estava me alimentando muito mal nos últimos dias. Ainda por cima queria ver se encontrava com umas amigas para jantar com elas. Enfim, o professor engatou numa conversa que não terminava nunca e ele é o tipo de pessoa que fala sem parar e não deixa espaço nenhum para você conseguir dizer que precisa ir embora. Fiquei inquieta e desesperada me movendo de um lado para o outro tentando descobrir como fazer para sair dali sem parecer mal educada. Às oito horas, quarenta minutos depois do término na aula, pus a mão na porta e falei que estava muito atrasada e precisava ir embora. Acabei conseguindo sair sem ser rude com ninguém.

Como eu estava meio alucinada de cansaço, fome e loucura por achar que o tempo estava brincando comigo e tudo estava por um fio, pus o fone do celular no ouvido e fui ligando para as pessoas do carro mesmo. Acabei sabendo que o filme era à meia-noite, ou seja, eu estava me auto-dopando de adrenalina à toa.

Mas foi um alívio, porque deu para comer um sanduíche, tomar o meu banho sossegada e ainda pôr umas coisas minhas em dia.

A partir daí as coisas deram certo. Vimos o filme felizes. O filme é maravilhoso. Depois acabei voltando para casa para descansar após umas tentativas frustradas de esticar a noite. Mas eu precisava mesmo dormir direito alguma vez na vida. Consegui hoje, após um ano, acordar às duas da tarde. Dormi dez horas, quando minha média é de quatro a seis no máximo. Um deleite.

Espero que o domingo seja calmo.

Postado por Maria de Fatima às 15:37
Solta o verbo!