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Quem?: Maria de Fatima
Quando?: século passado
Por que?: terapia ocupacional


Bom dia!









Sexta-feira, Janeiro 30, 2004

Tive uma idéia interessante... ou não...

Quero saber das pessoas que me conhecem, ou ao menos têm o hábito de me encontrar nos lugares, se elas lembram de alguma gafe minha que tenham presenciado. É bom ouvir minhas próprias histórias a partir de um outro ponto de vista. Além disso, deve haver coisas das quais não me lembro e só um olhar de fora pode me ajudar.

Se vocês lembrarem de alguma coisa, me mandem um e-mail. Vou ficar muito agradecida.

Ando com medo de ficar me repetindo aqui. Já não lembro bem quais histórias já contei e ando sem tempo de pesquisar nos arquivos. Ando me enrolando mais que papel higiênico sem saber como. Queria mudar meu template, mais isso toma tempo. Enfim, não vou continuar essa lamentação entediante.

Repetida ou não, aqui vai mais uma.

Para quem ainda não sabe, tenho uma banda na qual toco guitarra. Uns três, quatro anos atrás gravamos um EP de edição limitada com cinco músicas. Uma gravidez prolongada de um ano essa gravação, diga-se de passagem. Numa das idas ao estúdio, sofri um dos meus piores acidentes.

O estúdio onde gravamos, o Mills, em Santa Teresa, fica numa casa moldada ao morro, por isso temos que descer um bom lance de escadas para chegar ao estúdio propriamente dito. No dia em questão tinha chovido antes de chegarmos, então a escada, que tinha uma parte descoberta, estava molhada.

Se para um show já temos que carregar uma tonelada de coisas, para uma gravação temos que carregar ainda mais para poder fazer experimentos e otimizar os arranjos das músicas. Acho que nesse dia eu estava carregando a minha guitarra com seu case "pouco pesado" e minha mochila com meus pedais de efeito e mais umas peças de equipamento. Não lembro se estávamos carregando as coisas aos poucos por não estar a banda toda reunida, mas sei que não estava com a mochila nas costas e era só isso o que eu caregava.

Lembro perfeitamente de ter ouvido o Carlos Mills avisar para todos nós para tomarmos cuidado ao descer por causa da chuva. Esse tipo de aviso não adianta para mim, porque mesmo que eu tome cuidado, a vontade própria do meu corpo torna os acidentes algo inevitável. Foi então que escorreguei e caí deslizando pela escada. Eu não conseguia parar o meu corpo de descer e fazer "trrrrrrrrrrrraaaaaaaa". Uma hora ele acabou parando. Foi como numa comédia pastelão quando a pessoa esgorrega, fica um pouco no ar e aterrissa de costas.

Tive muita sorte porque bati com a cabeça em um dos degraus com bastante força, mas não tive problemas, porque estava de coque e meu cabelo amorteceu o impacto. Eu poderia ter ficado desacordada na melhor das hipóteses.

Não é preciso dizer que fiquei sofrendo de dor durante todo o período de gravação daquele dia. Também não é preciso dizer que fiquei com vários hematomas espalhados pelo corpo e que um deles tinha o tamanho da palma de uma mão. Ainda bem que não ficaram muitas marcas aparentes. Com certeza alguém ia acabar pensando que eu "apanhava do marido".

É isso aí minha gente! Ninguém segura a locomotiva Maria de Fátima.

Postado por Maria de Fatima às 10:03
Solta o verbo!



Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

QUEDAS, HEMATOMAS E RALAÇÕES

Sexta-feira passada fui à Bunker com umas amigas. Duas delas resolveram não entrar na última hora e me deixaram tomando conta do amigo norueguês de uma delas. O rapaz ficou embriagado até os fios dos cabelos. Pus bastante ênfase na promessa de não deixá-lo sozinho. Falei para ele ficar próximo a nós de modo a não se perder. Houve essa colaboração por um tempo. Durante alguns momentos ele ficou dançando com a gente e depois sentou um pouco distante, mas presente no nosso campo de visão. Presumindo que ele não se distanciaria, me desperocupei com o rapaz e fiquei dançando sem tomar conta dele. Num determinado momento, uma das meninas que estava no grupo me diz que "o meu amigo" estava perdido por ali. Dei um tempo para ver se ele reaparecia e depois acabei indo procurá-lo.

A Bunker foi reformada e isso acabou causando o meu acidente de sexta. Alíás, foi uma reforma de muito mal gosto. Saí da pista maior e fui em direção à pista onde geralmente há show de bandas. No meu estado hiperativo de ultimamente fui fazer a busca com uma certa velocidade e peso no andar. Eis que inexplicavelmente meu corpo despenca e se revolve no chão quase como se eu tivesse sido sugada de mal jeito por uma onda enorme na praia. O estrondo do meu corpo batendo e rebatendo no tablado foi grande. Um rapaz chegou a tentar me segurar pelo braço para me ajudar, mas quando ele me pegou eu tinha acabado de rolar. Caí sentada no chão, com o braço esquerdo meio que abraçado ao tablado e me levantei numa fração de segundos, como o pulo de uma pulga. Sabe quando você não quer acreditar que está se estabacando e de algum jeito faz força com o corpo para não cair, só que as leis da física impedem que você se mantenha de pé? Pois foi o que aconteceu comigo.

Eles tiveram a brilhante idéia de mudar o espaço do DJ de lugar e deixar o tablado antigo no mesmo lugar. No escuro, com luzes estroboscópicas descompensando a visão e várias pessoas lotando a sala, é lógico que eu iria me espatifar de qualquer jeito. Não haveria escolha alguma possível. Arrumei uns hematomas nas pernas e nos braços por conta dessa brincadeira.

No dia seguinte fui fazer uma hora na casa de uma nova amiga antes de ir para a comemoração do aniversário de outra. Ela tem um pufe que chama de buraco negro por conta do poder magnético que ele exerce sobre as pessoas. Você senta e não consegue sair de jeito nenhum. Do meu jeito estabanado, me larguei no pufe, escorreguei com o cotovelo esquerdo no tecido e me ralei toda. Daí, fui para o tal aniversário e tive problemas com as escadas do lugar aonde fomos. Aumentei um pouco o número e a gravidade dos hematomas das minhas pernas.

Na segunda-feira, fui ver a peça ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO, na Fundição Progresso. É um espetáculo interativo e os espectarores devem se locomover o tempo todo durante a peça.Tem uma hora em que temos que descer por um tobogã. A moça falou várias vezes para não encostarmos em nada ao descer e para cruzarmos os braços. Não cruzei no primeiro momento, por conta da minha descoordenação motora singular e acabei ralando o cotovelo direito, que era a última junta intacta do meu corpo.

Depois de tudo isso fiquei literalmente com dor de cotovelo.

Postado por Maria de Fatima às 13:43
Solta o verbo!



Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

Uma série de coisas têm acontecido. De repente me prendi no meu jeito espalhafatoso de ser e permaneci num processo de bombardeio à minha reputação. É o estado que eu chamo de "estar com formiga na calcinha".

Ontem, por exemplo, a coisa ficou feia.

Entrei novamente naquela fase de tensão por permanecer sozinha. Tenho feito muitas amizades e ponto. Tenho uma coleção de amizades. Adoro fazer amigos, mas ando precisando dissipar essa minha tensão.

Fui pegar uma bebida no bar do 00. Eis que, após reclamar quase aos berros da minha situação de carência causada pelo fato de não conseguir nada nem entre as amizades, recebo uma cantada sem igual por conta do exacerbado uso de clichês num mesmo discurso.

1 - Oi, tudo bem?
2 - Qual é o seu nome?
3 - Você está sozinha?
4 - Você está namorando?
6 - Você é careta?
5 - Você vem sempre aqui?
7 - Estou te incomodando?

Estas foram as exatas sete perguntas que me foram feitas num intervalo mínimo de tempo. Eu ia respondendo cada uma delas com educação, mas confesso que fiquei bastante constrangida e a pessoa em questão não me atraiu de nenhuma forma. Até havia uma certa beleza em sua fisionomia, mas não mexeu com a minha libido. Estou com formiga na calcinha, mas não vou comer qualquer peixe que caia na minha rede. Se fosse alguém que me causasse alguma reação física, eu com certeza teria partido para o ataque imediatamente. Enfim... Não foi o caso.

São mistérios do destino. Eu abro a minha enorme boca para falar besteira e aí sempre me acontece alguma coisa. Lembram da lâmpada que explodiu na minha cabeça depois de uma coisa que eu falei? Acho bem comparável a esta situação.

Postado por Maria de Fatima às 14:21
Solta o verbo!



Sexta-feira, Janeiro 23, 2004

Cada dia um tropeço.
Eis que eu no meu estado trincado sem drogas ajo de forma estranha sem notar.
Cheguei em casa da prova completamente alucinada por diversão. Não tinha nada para fazer, mas estava com carga suficiente para ir a uma rave de três dias.
Fiquei na espera de uma amiga que ia resolver o que ia fazer. Acabamos combinando de dar uma volta na praia. Combinamos tudo pelo Messenger. Eu lembrei que tinha que pagar umas contas no banco e fui, deixando um aviso de que que voltava logo no computador. No banco, tive uma dúvida e tentei esclarecê-la com o segurança, que foi super prestativo, mas não conseguia ententer o que eu falava por conta do meu estado hiperativo. Eu falava tão rápido que não dava para decodificar o que eu dizia. O pior é que era rápido, mas não rápido o suficiente para acompanhar a velocidade dos meus pensamentos. Assim que cheguei em casa encontrei um recado dessa minha amiga na secretária eletrônica dizendo que ela já estava indo para lá. "Lá" era o calçadão na fronteira entre Leblon e Ipanema, na altura do canal do Jardim de Alah. O problema é que eu tinha entendido que "lá" era onde ela iria para pegar outra menina para irem ao shopping mais tarde. Eu achei que elas iriam fazer compras depois de andarmos na praia, então fiquei esperando ela ligar para dizer que estava chegando aqui, fiquei respondendo meus e-mails e até almocei. Achei que ela estava demorando muito e enquanto esperava, liguei umas 5 vezes para o celular dela sem obter resposta. Deixei um recado seqüelado e continuei esperando. Quando estou quase ligando de novo, meu celular toca. Era ela querendo saber o que tinha acontecido comigo para eu não ter aparecido "lá". Ela saiu naquela hora e ficou me esperando um tempão. Chegou a andar até a altura da minha rua, até que cansou e foi embora para casa porque tinha hora para sair. Ela não tinha levado o celular, por isso eu não estava conseguindo falar com ela. Na verdade o plano que eu não tinha entendido era que ela andaria comigo e depois iria ao shopping, não o contrário.

Postado por Maria de Fatima às 00:51
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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004

É, estou de volta e sem histórias para contar.
Passei segunda e terça completamente afogada no trabalho e hoje de manhã fiz uma prova de certificação para melhorar o meu currículo. Esse é o mal de ser freelancer: quando a gente consegue trabalho, não tem tempo nem para respirar. Dormi 1 hora e meia de segunda para terça e fiquei alucinada. Drogas para quê se eu tenho o funcionamento misterioso do meu corpo?

Estou até agora cheia de energia acumulada. Alguém tem alguma sugestão do que eu faço para gastar essa energia?

Postado por Maria de Fatima às 16:22
Solta o verbo!



Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

Gente, vou ter que ficar um tempinho fora do ar por razões de trabalho. Vou ficar uns dias direto sem sair de casa fazendo uma tradução e vou fazer uma prova de qualificação na quinta de manhã. Volto na quinta mesmo à tarde ou na sexta se as coisas não correrem como o planejado.

Me desejem boa sorte e não deixem de me visitar!

Postado por Maria de Fatima às 11:00
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Domingo, Janeiro 18, 2004

Vocês lembram do primeiro show dos Rolling Stones no Rio? Aquele do Maracanã? Abertura de Rita Lee e Spin Doctors? Muito bom esse show. Inesquecível. Inesquecíveis também foram os tropeços. Vários...

Eu e um grupo de amigos do colégio combinamos de alugar um ônibus para irmos e voltarmos todos juntos. Não lembro exatamente de todas as pessoas que foram, mas lembro vagamente de que as encarregadas pelo aluguel do ônibus eram a Joana e a Bibi. Eu tinha combinado com a Ciça de nos encontrarmos depois que o show acabasse na estátua do Belini para então pegarmos o ônibus e voltarmos para casa. Ela não iria conosco, apenas voltaria. Daí falei com a Bibi e ela quis fazer uma lista das pessoas que iam para organizar tudo direitinho e controlar o pagamento. A Bibi é o que há. Nunca vou me esquecer dela me perguntando o nome da minha amiga que ia com a gente e escrevendo Cesssilia, assim mesmo com três ésses. Por conta dessa história, sempre que a gente falava da Ciça para ela, nos referíamos à moça como "Cesssilia com três ésses". A própria Ciça se divertia muito com essa história.

O show da Rita foi ótimo, mas o dos Spin Doctors... Ninguém mereceu aquele show. O vocalista com zero carisma estava completamente entoxicado. O rapaz estava alucinado e parecia que ia ter uma síncope a qualquer momento. Podia ter acontecido como o que rolou com o Towa Tei no show do Dee Lite no Rock in Rio II, quando o homem desabou no palco. Disseram que foi o calor. Eu não engulo Para mim foi tóxico. Adoro o Towa, mas podia ter pegado leve para não pagar esse mico na frente de um público tão grande. Enfim, o show do Dee Lite não está em julgamento aqui.

Chegamos bem cedo ao Maracanã, por volta de umas cinco e meia da tarde. Acabou que o povo todo do ônibus se dividiu em pequenos grupos que assistiram ao show separadamente. Eu fiquei com a Jô Amaral e o irmão dela na grade. Foi um espetáculo ver o show de tão perto. Nunca vou esquecer a emoção de ter vivenciado esse momento único. Deu até para sentir o calor do lança chamas que havia na boca de uma serpente (ou era um dragão?) enorme no topo do palco.

A desvantagem de ver o show na grade foi que havia um homem de cadeira de rodas do meu lado e a multidão foi me presionando contra o homem. Óbvio que eu enquanto adolescente roqueira não abriria mão nunca de lutar por meu espaço na frente do palco. Não quis saber: usei todas as minhas forças para me mater de pé ali na frente e fui me segurando na grade como pude. À medida em que o tempo ia passando e a pressão das pessoas ia aumantando, eu ia sendo obrigada a me contorcer e me inclinar. Sei que passei uma grande parte do show quase sentada no colo do cara da cadeira de rodas. Quando a apresentação acabou, eu estava quebrada e toda travada por ter passado tanto tempo numa posição tão incômoda.

Eu tinha que sair correndo atrás da Ciça então me separei da Jô e do irmão dela e fui encontrá-la. Eu estava de All Star. A pior escolha para o cenário com o qual me deparei no corredor de saída do estádio. Um inacreditável lago de mijo cobria todo o corredor e eu tinha que sair dalí de qualquer jeito. Não havia o que fazer, então enfiei o pé naquela lama repulsiva e segui meu caminho. Já fora do estádio fui invadida por um pânico de não encontrar a Ciça, afinal eu estava completamente sozinha tendo que encontrar uma outra pessoa que estava completamente sozinha no meio de milhares de pessoas em volta do maior estádio do mundo. Tudo bem que tínhamos marcado um ponto de encontro, só que o tal ponto de encontro era o local que todas as pessoas tinham marcado de se encontrar. Era praticamente a mesma coisa que não ter marcado em lugar nenhum. Fiquei alí aflita durante intermináveis minutos procurando a Ciça sem sucesso. Encontrei outras pessoas que eu nem sabia que iriam ao show, mas nada da Ciça. Chegou um momento em que alcancei meu desespero absoluto. Muito tempo havia passado e provavelmente o ônibus já teria saído sem mim. Comecei a gritar pela Ciça do fundo mais profundo dos meus pulmões quase chorando. Enquanto gritava, andava de costas examinando minuciosamente a multidão. Após mais alguns minutos sem nenhum resultado escuto meu nome gritado atrás de mim em absoluta sincronia com o meu grito pelo nome da Cecilia. Foi cinematográfico. Ambas fizemos cara de surpresa ao ouvir nossos nomes e viramos imediatamente. Inacreditavelmente estávamos andando em círculos uma atrás da outra, até que nos encontramos. Rimos horrores da incrível situação patética que aquilo era. A sensação foi a de estar numa cena em câmera lenta. Ao ouvir o grito, o tempo ralentou e nossos movimentos também. Os cabelos se moveram tão lentamente quanto numa cena de reencontro de filme dramático. Digno de Oscar.

Após nos confortarmos de não ter que voltar para casa absolutamente sozinhas, saímos correndo como duas criminosas fugindo da polícia para tentar pegar o ônibus da galera. Quando chegamos ao local marcado, o veículo estava começando a sair naquele exato momento. Eu e Ciça mais uma vez pusemos todas as nossas forças pulmonares nos berros para que o ônibus parasse. Corremos lado a lado e conseguimos alcançá-lo. Batemos na porta e ele parou. Ufa... Foi uma felicidade absurda conseguir embarcar.

A Ciça dormiu aqui em casa. Quando acordamos ela foi embora e eu fui à praia com uns amigos. Sim, eu ia à praia com freqüencia naquela época. Estou tentando retomar o hábito. Depois da praia eu e Danielle, que estava comigo na praia, resolvemos voltar andando para casa pela Prudente de Moraes para não pegar aquele sol escaldante na moleira. Estávamos já um pouco cozidas da praia. Foi então que, passando em frente a minha antiga escola, avistei Cecilia com uma garota que nunca tinha visto na vida. Perguntei a ela o que ela estava fazendo ali e ela me disse que eu veria em poucos minutos se aguardasse um pouco mais afastada dali. Eu e Dani ficamos a uns cinco metros da porta do restaurante Arlecchino que ficava ao lado da minha escola. Eis que surge lá de dentro... Quem? Quem surgiu lá de dentro? Ninguém menos que Mick Jagger em carne e osso. Eu fiquei absolutamente estupefata sem conseguir me mexer. A Dani queria se aproximar, mas eu falei que dali não saía. Fiquei paralisada. A Ciça entregou umas coisas para ele e tirou uma foto que até hoje a mãe dela guarda em casa em um porta-retrato. A Ciça tinha ido para a porta do hotel onde a banda estava hospedada e conheceu uma menina que trabalhava para um jornal, se não me engano. Ela tinha conseguido a informação de onde Mick almoçaria naquele dia e foram juntas para a porta do restaurante.

Muita ação e muita emoção! Urrú!!!

Postado por Maria de Fatima às 11:32
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Sábado, Janeiro 17, 2004

Hoje tenho pouco tempo, então vou escrever uma rapidinha.

É mais do que sabida a minha assídua freqüencia ao 00. Pois bem, uns domingos atrás marquei com uns amigos lá e fui sozinha. Geralmente chego acompanhada de um ou dois amigos, mas no dia em questão cheguei só.

Estava muito cheio na hora em que aportei lá. Fui filmando as pessoas até que vi um grupo sentado em volta de uma das mesas do pátio externo. Presumi que aquele era o meu grupo de amigos. Sabe aquela sensação de conforto instantâneo quase eufórico que te alivia após achar alguém que você procura? Senti isso e fui confiante falar com as pessoas. A primeira que vi foi a Mari. Cheguei lá, bem perto e peguei no braço da moça para cumprimentá-la. O fato é que aquela não era a Mari. Imediatamente eu disse: "Perdão, confundi você." E fui embora dali mantendo uma postura de quem não se abala. Eu morro de vergonha dessas coisas. Rio de mim mesma, mas em geral sobe um calor pelas orelhas após um evento como esse. Daí fui beber alguma coisa no bar e recorri ao celular para ter certeza de que não confundiria mais ninguém.

Usar óculos não me livra da cegueira mental. Não tem jeito: olho para as coisas e para as pessoas e é como se meu olhar atravessasse tudo. Não é à toa que engancho em tudo e me cubro de hematomas.

No domingo passado a falta de visão me fez pagar outro mico no banheiro do 00.

Volta e meia acabo reencontrando alguém da época do colégio lá. No dia em questão eu já tinha sido reapresentada a um colega das antigas. Em uma dada ida ao banheiro fui acometida não só pela cegueira como também pela surdez. Após sair da cabine me dirigi à pia para lavar as mãos. Eu estava ciente de que havia outras pessoas no recinto, mas para mim eram desconhecidas das quais eu não tinha visto o rosto. Então "as desconhecidas" estavam conversando enquanto eu lavava as mãos. Dava para ouvir bem a conversa delas, mas as palavras chegavam criptografadas aos meus ouvidos. Quando me desligo não há o que me ligue. Foi quando terminei de secar as mãos e me pus a caminhar em direção à porta que uma mão interrompe a minha saída. Quando olho para a dona da mão me deparo com Branca, que também freqüentou a minha escola e tem diversos amigos em comum comigo. E o que ela diz para mim? Algo assim: "Pois é, eu percebi que você não tinha me visto e fiquei aqui falando de você esperando para ver quando é que você ia se tocar da minha presença." Daí eu disse, cheia de vergonha, que não adiantava nada eu usar óculos. Ela disse que sabia muito bem disso e que eu já era assim desde a época do colégio. Daí nos abraçamos e rimos bastante. Um espetáculo. O engraçado é que eu achava que ela não ia com a minha cara. Vai ver que era só reação ao fato de que eu não enxergava o mundo e provavelmente acabava passando uma imagem ridícula de arrogante e esnobe.

Meu funcionamento cerebral é um dos mistérios do universo.

Postado por Maria de Fatima às 12:45
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Sexta-feira, Janeiro 16, 2004

Mais um momento Happy Tree Friends... Não lembro se já contei esta história, mas fiquei com preguiça de checar os arquivos. Conto assim mesmo.

Era festa de despedida de uma amiga que ia ficar uns seis meses nos EUA trabalhando. O ambiente da casa dela é sempre muito aconchegante, não só pelo lugar em si, como também pelas pessoas interessantes que o freqüentam. Um espetáculo.

Os convidados demoraram muito para chegar, então ficamos nós, só o pessoal local da casa mesmo, ouvindo música, dançando e comemorando estarmos juntos, pensando que se ninguém chegasse a festa seria de arromba mesmo assim. É claro que nossos motores estavam aditivados.

Tudo foi ficando cada vez mais divertido. Nossa criatividade estava à flor da pele. Eu e Márcio, especificamente, estavamos num mundo paralelo. Com certeza nos divertimos mais que todo mundo.

As pessoas afinal foram chegando e se acomodando. Ficaram a maior parte do tempo sentadas conversando entre si com um ar ameno demais para Márcio e eu, que estávamos como duas velas faiscantes de bolo de aniversário. Isso não foi problema algum. Os bobos da corte fizeram um bom trabalho em animar a festa.

Enfim, o derradeiro momento Kodak guilhotina aconteceu numa fração de segundos. Na época havia uma rede pendurada em frente a uma porta de blindex que dá para um pequeno jardim de inverno no apartamento. Me deu vontade de sentar na rede. Minha amiga, a que ia viajar, teve o bom senso de me avisar para tomar cuidado ao sentar na rede. Eu com meu complexo de Mulher Maravilha sinalizei com o rosto que não tinha problema nenhum. Foi incrível: ela terminou de emitir o aviso, eu sentei e caí com tudo no blindex. Bati com as costas e a cabeça. A sorte foi que Márcio estava bem ali na hora e teve um reflexo velocíssimo ninja e me segurou pelo braço evitando que eu quebrasse o pescoço e despedaçasse o blindex.

Houve uma comoção geral. Aditivada que eu estava, senti dor, mas bem pouca. Levantei e comecei a rir. "Bem que você me avisou. Quaquaquá!!!" - eu disse me divertindo horrores.

Depois disso, comecei a passar mal. O tranco tinha me chacoalhado e fiquei muito enjoada. Fui ao banheiro alguma vezes despejar o enjoo no vaso. Depois saí renovadíssima como uma pipoca pulando e estourando numa diversão sem fim.

Fiquei até o final da festa e acabei dormindo um pouco. Era dia de semana e eu tinha que dar uma aula às dez e meia da manhã no dia seguinte. Acontece que a festa acabou no dia seguinte. Do nada despertei, peguei minha bolsa e pedi para Márcio abrir a porta para mim. Eu tenho esses surtos de ter que ir embora prontamente de vez em quando. Fui andando até o carro tranqüilamente, abri a porta, sentei, me acomodei e senti algo estranho. Alguma coisa estava faltando. Eram meus óculos. Estavam lá no apartamento. Tive que voltar para pegar.

Voltei para casa tranqüilamente, mas exausta. Dormi mais um pouquinho para poder trabalhar mais descansada em seguida. Acordei sentindo uma dor estranha fortíssima nas costas. Não conseguia lembrar o que tinha acontecido. Fiquei matutando e nada. Daí peguei a camisa que eu tinha usado na festa para dar uma olhada. Tinha um círculo perfeito de pele colado às costas da camisa no interior bem onde eu tinha caído em cima do trinco da porta de blindex. Fiquei sentindo aquela dor durante uma semana.

Liguei para a minha amiga e perguntei o que tinha acontecido. Após uma minuciosa descrição minha memória foi restaurada.

Se gatos têm sete vidas, eu devo ter bem mais do que isso. Que pessoa abençoada!!!!!

Postado por Maria de Fatima às 12:23
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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004

Lembrei de mais uma acontecida num Reveillon passado há muitos anos.

Não lembro exatamente a minha idade, mas devia ter entre 6 e 8 anos. Estávamos todos aqui reunidos: minha família e mais umas duas outras de amigos dos meus pais. A Danielle, aquela minha amiga de infância com quem eu ia sempre à praia, estava aqui com o pessoal da casa dela.

Sempre me contentei com muito pouco para me divertir. Imaginava mil coisas a partir de um simples graveto caído no chão. Viajar nas coisas que me diziam então, nem se fala. Rir sempre foi o meu maior prazer, por isso as coisas mais imbecis sempre tinham alguma graça para mim.

Foi antes da meia-noite, eu acho, que a coisa aconteceu. Estávamos eu, Dani e a mãe dela no meu quarto. Como já disse, era Reveillon e por isso todos estavam de branco. Então estávamos lá falando de coisas divertidas quando Dani profere uma pequena frase que me faz perder o controle e cuspir toda a Coca-Cola contida na minha boca na roupa da mãe dela, que para seu azar estava bem na minha frente. Imaginem uma criança louca cuspindo na sua mãe toda vestida de branco... Ela ficou toda manchada e eu fiquei desesperada de vergonha. Não sabia onde enfiar a cara e nada que eu dissesse ou fizesse adiantaria para amenizar a coisa. Pedi desculpas, mas e daí? Claro que minha mãe me deu uma bronca básica, mas nada de muito sério.

Vocês querem saber o qual foi a frase engraçadíssima que a guria falou e motivou que eu cuspisse na mãe dela toda?

"O ELEFANTE CAIU NA POÇA DE LAMA."

Postado por Maria de Fatima às 11:34
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Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

O LOBO MAU VENCEU


Foto de Fernando Rabelo, publicada no Jornal do Brasil em 13 de janeiro de 2004.

Há tempos não sento para ler o jornal. Era bem cedo de manhã e minha mãe me chamou para dar uma olhada numa reportagem. Era sobre o colégio onde estudei do jardim da infância à quarta série do primeiro grau.

Apesar de eu nunca ter gostado de ir à escola e de ter sempre me sentido preterida e sacaneada pelos colegas... Apesar da rigidez absurda das coordenadoras, aquele lugar teve e sempre vai ter uma importância muito grande na minha vida. Afinal de contas eu cresci ali dentro e me considero uma das pessoas mais privilegiadas por ter podido estudar lá. Era uma escola pequena, mas muito bonita e bem estruturada. Meu pai gastava muito dinheiro para que eu e meu irmão pudéssemos estudar no meio da elite numa escola tão bem conceituada e com uma história tão bonita.

Quando passei da quarta para a quinta série, jurei que nunca mais poria meus pés lá, tamaha a raiva que eu tinha das outras crianças e do medo que eu tinha das "tias". E nunca mais pus mesmo. Me arrependo muito.

Eu era uma menina com uma timidez patológica e problemas de relacionamento. Não conseguia fazer amigos, mas não tinha um dia em que eu não me divertisse sozinha com os brinquedos do pátio e com os livros da biblioteca. Lembro até hoje da minha mãe me puxando pelas pernas e eu agarrada ao portão chorando no meu primeiro dia de aula. Não me importa todo o sofrimento que vivi lá. Eu sofria, mas também era feliz. Meu apego era com o lugar. E o lugar com tudo o que tinha dentro está destruído. Uma parte de mim está de luto. Outra está revoltada com o descaso e a ganância das partes envolvidas. Indignada com o lixo de sistema judiciário que a gente tem.

Passar por ali já me doia antes de ler a reportagem e ver as fotos do interior da escola. Moro a um quarteirão de lá. O processo foi lento. Primeiro a Dona morre e dizem que nada vai mudar. Durante algum tempo a escola continuou funcionando cheia de crianças. Depois foi o fechamento e a transferência dos alunos para a outra filial que abrigava os estudantes da quinta série do primeiro grau ao terceiro ano do segundo grau. Mesmo fechado, o prédio se manteve inteiro por um bom tempo. Uns seis meses atrás foi que me dei conta do que estava acontecendo. Pedaços do portão de metal tinham sido arrancados. Depois, com o tempo, mais pedaços foram sumindo e até uma porta inteira. Daí colocaram uma porta meio fajuta e arame farpado. Nada adiantou para evitar os saques e a depredação. Se era para acabar com a escola por que não doar os livros e todo o resto para outras escolas? Para quê deixar tudo aprodrecer ali dentro? Para quê serviu tombar o imóvel?

Senti frio no peito ao ver a foto da biblioteca com todos os livros no chão e sujos ou rasgados. Aquele era o único muro branco do Rio de Janeiro que se mantinha branco em qualquer circunstância. Grafite era uma coisa que ficava no máximo umas 8 horas. Rapidinho a tinta branca cobria tudo.

Nada dura para sempre.

Postado por Maria de Fatima às 15:52
Solta o verbo!



Terça-feira, Janeiro 13, 2004

Achei que não ia me afetar pela notícia no jornal hoje. Amanhã falo sobre isso. Mais da infância.
Postado por Maria de Fatima às 21:34
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Segunda-feira, Janeiro 12, 2004

Meu corpo está menos cozido, mas ainda não estou me sentindo muito bem. No meio de tantas coisas para fazer, me perco e me fragilizo ainda mais por conta do meu estado físico débil. Ainda assim tenho surtos eufóricos de hiperatividade quase produtiva.

Bom, hoje comecei o dia nessa euforia de mudar a minha vida e fui trancar a faculdade de Produção Fonográfica que eu fazia à noite e que mais me atrapalhava do que contribuia para adicionar qualificações ao meu currículo. Estudar lá foi mais uma das minhas típicas decisões pés-pelas-mãos. Enfim, ainda há tempo para mudar.

Tudo bem, fui ao Centro debaixo de um calor escaldante, coisa nada legal para o meu estado. Estou lacrimejando e fungando incessantemente e isso me tira do sério. Andar pela cidade e enfrentar o trânsito só fez piorar as reações alérgicas "from hell" que me acometeram.

Chegando à "torre do inferno", vulgo Universidade Estácio de Sá, Campus Presidente Vargas, me dirigi à sala do Núcleo de Apoio ao Estudante, que é onde o trancamento deveria ser feito. Após o trajeto que quase me derreteu viva e me deixou nojenta de suor, além de enfurecida por conta da alergia, fui recebida com a notícia de que eu não poderia trancar minha matrícula porque o sistema da universidade estava fora do ar e não haveria como prever o retorno das operações. Eles não conhecem formulários impressos? Como assim não têm uma alternativa para continuar fazendo as coisas funcionarem? O que diabos eles fazem com o meu dinheiro?

Saí de lá sem rumo e desolada pensando que teria que me deslocar mais uma vez no calor do nosso verão carioca para resolver uma coisa que já está me irritando há muito tempo.

Liguei para uma amiga, a Suzana, que há muito me chama para almoçar e nunca posso por conta de diversos compromisos. Convidei a moça para o almoço, mas é claro que ela tinha que não poder justo hoje quando estou disponível. Lógico, o que mais poderia ser? Fiquei de ligar para ela um outro dia.

Fui parar numa livraria e lembrei de ligar para Carol, a qual eu achava que ainda deveria estar no Fundão. Ela logicamente já estava em casa e ainda por cima tinha outras coisas para fazer e não poderia me encontrar para almoçar comigo e não fazer a minha viagem se perder. Acabei dando uma olhada nos livros e comprei uns títulos de lingüística para estudar para o mestrado. Aliás no dia em que esse mestrado sair pode ser que haja um dilúvio em todo o planeta. Talvez a culpa do apocalípse seja minha. Isso é motivo para repensar esse mestrado? Já faz dois anos que me formei e não prestei prova até hoje por conta da uva passa que tenho no lugar do cérebro. À essa altura eu já deveria estar defendendo minha tese. Meu pai me faz cotidianamente esta pergunta: "Se você trocasse a sua cabeça pela de um burro, o que seria do burro?"

Vou assim aos trancos e barrancos, mas quem sabe? Um dia pode ser que eu ainda chegue a algum lugar.

Postado por Maria de Fatima às 14:49
Solta o verbo!



Domingo, Janeiro 11, 2004

Queridos,

Continuarei ausente por mais algum tempo. A gripe me deixou "cozida" e está comprometendo minhas faculdades mentais. Não que elas já não sejam naturalmente comprometidas... hehe

Por favor não desistam de mim. Estou carente. As visitas de vocês são fundamentais para minha recuperação.

Um beijo grande da moribunda que vos fala!!!

Postado por Maria de Fatima às 14:55
Solta o verbo!



Sábado, Janeiro 10, 2004

Ausente por motivo de saúde.

Postado por Maria de Fatima às 20:22
Solta o verbo!



Sexta-feira, Janeiro 09, 2004

Muito bem, isso de escrever todos os dias acaba comprometendo um pouco a minha memória. Fico me forçando a lembrança de fatos passados e acabo bloqueando muitas coisas na minha cabeça.

Acabei de lembrar de uma espetacular! Repulsiva, mas muito divertida.

Uns dois anos atrás eu fazia um curso à noite no centro da cidade. Um dia peguei um ônibus para ir ao curso e quase não havia assentos livres. Acabei sentando do lado de um rapaz careca.

Durante vários minutos a viagem correu como qualquer outra que se faz sozinho na companhia de estranhos. Pois bem, num dado momento olhei para o lado para ver a paisagem lá fora e acabei descobrindo que o tal do careca do meu lado era um cara que eu conhecia há muitos anos e de quem eu fugia há vários. Se tratava de um cara grudento e muito chato, mas super bem intencionado. De boas intenções... Vocês já sabem.

Como tínhamos passado de Ipanema a Copacabana sem nos falarmos, tentei fazer de conta que não tinha percebido que ele era de fato ele mesmo e fiquei olhando para o lado oposto na esperança de não ser reconhecida.

Infelizmente não foi possível manter meu anonimato por muito tempo. De repente escuto meu nome num tom interrogativo. Então olho para o lado e digo "sim?" fingindo uma surpresa ao ver o colega há tantos anos distante.

Ficamos naquela lenga-lenga de quem não se vê há muito tempo, falando sobre diversas coisas. Até que não estava sendo tão ruim. Contudo houve um momento já no Centro em que uma coisa desagradável aconteceu. Do nada, um bodum sinistro do inferno invadiu o ônibus. Olhei para frente e não havia ninguém, olhei para os lados e também não havia ninguém, olhei para trás e nada. Só dava para concluir que o infeliz emissor de tal nuvem de gás tóxico era o tal do chato do passado que estava sentado ao meu lado. Foi horrível, porque eu tentei não demonstrar a repulsa ao cheiro, mas foi muito difícil. Imagino que o meu rosto tenha transparecido muito o desconforto que eu estava sentindo. Eu devia era ter gritado com ele ou sei lá. A criatura também não conseguiu disfarçar a culpa pela bomba química que tinha exalado. Deu para ver em seu semblante o peso de não ter sido capaz de conter dentro de si aquele horror todo.

Eu mereço.

Postado por Maria de Fatima às 16:23
Solta o verbo!



Quinta-feira, Janeiro 08, 2004

Depois de ler o post da Carol, me lembrei de algo um pouco parecido que me aconteceu lá na UFRJ na ocasião da minha colação de grau. Pois é, a UFRJ foi e continua sendo uma geradora de situações incômodas e embaraçosas.

Após muitos problemas, a colação de grau tinha sido marcada para uma sexta-feira de manhã. Era época de Copa do Mundo e as pessoas não raciocinavam bem àquela altura. Eu estava ansiosa pela conclusão da minha tão sofrida graduação que de 4 anos estiquei para 6 num acesso de loucura, mas isso não vem ao caso agora.

Eu trabalhava num curso de idiomas e teria que pedir uma manhã de folga para poder ir à faculdade. Foi o que eu fiz. Acordei radiante de felicidade e liguei para minha amiga que também estava se formando junto comigo. Combinamos de nos encontrarmos e fomos juntas.

Assim que chegamos, pudemos observar uma proliferação de cartazes que diziam que a nossa tão aguardada cerimônia de colação de grau tinha sido adiada para a sexta-feira seguinte no mesmo horário em virtude do jogo da Seleção Brasileira que tinha ocorrido na madrugada anterior.

O acesso de fúria foi imediato. Não existe uma alma viva que não passe perrengue para chegar até a Ilha do Fundão. Só o trajeto é uma tortura e todas as concessões que temos que fazer para lá estar são muitas. Imaginem como meu rosto ficou púrpura de raiva. Eu tinha perdido uma manhã inteira de trabalho e isso significava uma grana essencial que não teria como recuperar. Eu ganhava por hora e a manhã era meu período mais cheio. Faltando ao trabalho eu ficava sem receber. E fiquei mesmo.

Fomos fazer uma reclamação com a diretora, mas ela não estava em seu gabinete. Eu e minha amiga não éramos as únicas na mesma situação. Algumas pessoas eleitas tinham recebido um telefonema avisando do adiamento, mas nós e mais algumas outras fomos presenteadas com a porta na cara. Tinha uma moça que tinha levado pai, mãe, filho entre outros membros da família. Deu dó de ver. Eram muitas pessoas que com certeza pediram licença do trabalho e da escola para estar lá prestigiando a familiar formanda. Estavam todos bem arrumados para tirar fotos do momento tão especial. Me deu pena.

Quando conseguimos encontrar com a diretora, ela simplesmente lavou as mãos e "passar bem". Ninguém merece.

Como é que uma instituição que se diz séria faz uma palhaçada como essa por causa de um jogo de futebol ocorrido em um horário totalmente diferente daquele no qual ocorreria a colação? Na boa, depois dessa e de outras passei a valorizar o meu diploma tanto quanto valorizo o papel higiênico do banheiro da minha casa.

Postado por Maria de Fatima às 15:55
Solta o verbo!



Quarta-feira, Janeiro 07, 2004

Depois do grande épico, qualquer coisa é grão de areia. Mesmo assim conto um breve momento vivido na UFRJ. Coisa boba mesmo.

É incrível como tenho um rosto comum. Digo isso porque volta e meia me confundem com alguém. Sou sempre a amiga da amiga, a namorada do primo, irmã, sobrinha e até tia de alguém. Não é à toa que respondo quando me chamam de Flávia ou Fernanda, porque a incidência de Flávias e Fernandas que se parecem comigo é uma coisa de outro mundo.

Enfim, estava eu na cantina da faculdade aguardando o meu pedido quando uma sujeita chega do nada pelas minhas costas e me cumprimenta com um tapão sonoro nas nádegas. Imediatamente viro e olho para o rosto da moça sem compreender nada, afinal jamais havia visto tal pessoa mais gorda na vida. E ela realmente era muito gorda. Ela começou a falar comigo coisas da faculdade e da turma que ela achava que compartilhava comigo. Foi divagando e desenvolvendo assuntos completamente estranhos para mim. Fiquei olhando para ela tentando lembrar de onde poderia conhecê-la. Cheguei a pensar que estava sofrendo de amnésia, tamanha a intimidade daquela moça comigo. Tenho mesmo esse problema de esquecer e bloquear algumas pessoas da minha memória. Acontece como um sorteio aleatório. Foi então que ela me perguntou: "E o português? Tá fazendo com a Filomena?" Eu respondi: "Não, já acabei o português há muito tempo." Ela: "Você não tá fazendo Port. IV?" Eu: "Não, terminei o Port VIII há um ano, mais ou menos." Foi aí que tive certeza de que quem estava tropeçando não era eu, então disse a ela: "Acho que você está me confundindo com outra pessoa." A guria ficou muito sem graça, ainda insistiu por alguns momentos, mas acabou percebendo que eu não era quem ela estava pensando. Daí pediu perdão e foi embora.

O que me chamou a atenção foi a capacidade de abstração dessa moça. Sou mestra em confundir as pessoas, mas é só chegar um pouco mais perto para desfazer a confusão. O incrível foi ela conversar comigo olhando no olho durante tanto tempo sem ter noção de que estava enganada quanto à minha identidade.

A fauna humana é mesmo um espetáculo!

Postado por Maria de Fatima às 11:49
Solta o verbo!



Terça-feira, Janeiro 06, 2004

Aí vai o relato das 12 horas mais agitadas dos últimos tempos na vida de Maria de Fátima.

O ÉPICO

Quando a gente pensa que nada mais pode acontecer, nos enganamos e o novelo vai se embolando cada vez mais. Não me lembro de ter me divertido tanto com tantos tropeços num intervalo tão curto de tempo. As doze horas passadas entre 18h30 de sábado (03/01) e 6h30 de domingo (04/01) foram deliciosamente trágicas.

O CINEMA 1

Tudo começou com um telefonema para meu grande amigo Chris. Combinei com ele de irmos ao cimena ver o filme "Irreversível" na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. A sessão era às 19h e marcamos de nos encontrarmos lá às 18h30. Cheguei uns minutinhos atrasada e ele ainda não tinha chegado. Fiquei lá esperando enquanto ele demorava para aparecer. Num dado momento, nos falamos por telefone e ele pediu que comprasse as entradas pois já estava quase chegando. Assim que entrei no recinto, ouvi uma moça dizer que o cinema estava com os ingressos esgotados. Entrei e constatei que era verdade por conta dos avisos pendurados na janelinha da bilheteria. Imediatamente liguei para Chris de modo a dar-lhe o comunicado. Ambos queríamos muito ver o filme, então resolvemos que compraríamos ingressos para a próxima sessão às 21h quando ele chegasse. Assim que ele chegou fomos para a bilheteria e soubemos que os ingressos só começariam a ser vendidos a partir das 20h, ou seja, teríamos que ficar uma hora em pé na fila disputando com pessoas histéricas os ingressos tão preciosos. Estupefatos, decidimos esperar em pé. Infelizmente houve o momento da fuga da paciência e fomos embora tristes e frustrados.

O RESTAURANTE

Ficamos vagando por Ipanema a pé tentando pensar em algo para fazer. Estávamos com fome e resolvemos ir ao Nik Sushi - nosso "escritório". Ao passar pela porta do restaurante, tivemos a infeliz surpresa de vê-lo fechado. Nos dirigimos então a um outro resturante japonês em Ipanema, para vermos se era dia de rodízio. Era e isso nos deixou contentes. Sentamos para pedir o tal rodízio às 20h15 e o garçom nos explicou que, de acordo com as normas da casa, os pedidos só seriam servidos até as 21h. Isso significava que teríamos pouco tempo para comer, já que uma certa demora acompanha naturalmente o preparo dos pratos. O problema do quesito tempo não foi uma boa surpresa, mas concordamos mesmo assim com a possibilidade de acabar sendo "expulsos" quando nosso tempo acabasse. O grande problema foi o decepcionante desfecho da espera pela comida, que acabou se mostrando uma ofensa ao nosso paladar exigente por tal alimento que praticamente corre em nossas veias. O arroz estava péssimo. Parecia arroz de sushi de churrascaria. E a corrida contra o tempo lado a lado com a gororoba ruim... Conseguimos fazer o último pedido às 20h58, no último momento. Alívio de pelo menos ter feito valer o dinheiro por conta da quantidade e não da qualidade, infelizmente.

O TOCO DO AMIGO

Ainda no restaurante Chris recebe um telefonema de nosso querido amigo Jõao Paulo, nos convidando para encontrarmos com ele em um bar no Lido, em Copacabana. Nos animamos com a empolgação do rapaz e concordamos. Após pagar a conta, demos uma passada rápida na minha casa para um retoque básico antes de sair. Recebi um telefonema de uma amiga, Tati, que procurava algo para fazer. Estendi a ela o convite, mas nada foi confirmado. Assim que desliguei com ela, João liga dizendo que havia perdido a vontade de sair. Ainda tentamos insistir com ele para que saísse conosco, mas foi em vão. Acabamos levando um toco do amigo que sempre está aberto para eventos sociais. E isso aos 40 minutos do segundo tempo. Deprimidos, ficamos falando várias abobrinhas enquanto uma idéia não surgia. Peguei o jornal e nos dispusemos a procurar algo para fazer. Chris teve a brilhante idéia de vermos um filme tosqueira no New York City Center, na Barra da Tijuca, à 0h30. Liguei para Tati para dizer quais eram os nossos planos e saber se havia algo diferente para fazer. Ela tinha se decidido por uma festa a qual eu já tinha ido uma vez e não tinha gostado. Não me animei muito. Expliquei a ela o contexto da festa e disse que talvez mais tarde ainda nos falássemos. Uma outra amiga que estava em um jantar de família, a ilustre Carol, se pôs em stand by para um possível programa após o jantar.

O CINEMA 2

Dadas as circuntâncias da noite, eu e Chris nos lançamos o mais rápido que pudemos numa peregrinação até a Barra da Tijuca para ver o tal filme. Leves e fagueiros, tivemos o sorriso do rosto extraído à força de nós com a informação de que a última sessão do filme tinha sido às 22h15 e o jornal continha informação equivocada. Desolados, nos dirigimos com grande velocidade até o carro no intuito de tentar aproveitar os quinze minutos de tolerância para não precisar pagar o estacionamento. A fila estava quilométrica e não queríamos ter que constatar que percorrer toda aquela distância teria sido apenas para enfrentar uma fila absurda de estacionamento de shopping. Não acostumanda com o estacionamento do lugar, me confundi um pouco na hora de sair e acabei fazendo um caminho um pouco longo, saindo no NYCC e indo parar no Barra Shopping - um é extensão do outro agora. Felizmente conseguimos sair dentro do tempo limite. Alívio.

A VOLTA PARA CASA: TRILHA SONORA

Já na Avenida das Américas, no caminho de casa, ficamos alegremente comentando todos os fracassos ocorridos, enfrentados com muito bom humor. Apesar de praticamente tudo ter dado errado, tínhamos a sensação de termos nos divertido muito juntos. O trânsito estava bom, mas o rádio não quis colaborar muito conosco. Até a casa do Chris, tivemos que ouvir pérolas da música como aquela insuportavelmente cantada por Zizi Possi que diz assim: "PI-IRIGO é ter você perto dos olhos, mas longe do coração..." Quem merece essa música com dicção tão desqualificada? Deixei Chris em casa e continuei sofrendo com a trilha sonora até minha casa. Com os ouvidos "quase sangrando" fui agraciada com uma boa música, mas era algo simbólica. Assim que entro na garagem do prédio e desligo o motor do carro, Beck canta para mim, só para mim: "Soy un PERDEDOR! I'm a LOSER, baby, so why don't you kill me?"

E A NOITE NÃO ACABOU...

Enquanto falávamos sobre os fatos ocorridos durante o trajeto para casa, eu ainda estava disposta a continuar a noite e tinha esperança de que Carol ligasse com alguma boa idéia, mas seria difícil tendo em vista que ela tinha ido comer sushi com a família e provavelmente teria bebido bastante saquê. Provavelmente ela preferiria ir para casa dormir. Cheguei a cogitar ir à tal da festa, mas Chris me convenceu de que não seria uma boa idéia. Ele disse que se eu já tinha ido uma vez e não tinha gostado, que deveira ficar em casa para não forçar a barra daquela noite já tão estranha. O destino podia se ofender e piorar as coisas. Acabei concordando com ele. Subi para o meu apartamento, pus uma roupa confortável para dormir e comecei a escrever este post, já vivendo a idéia de que tudo tinha acabado. Por volta de 1h30 recebo um telefonema de Carol que estava prontíssima para sair do stand by.

CAROL: Já acabamos de comer e estamos pagando a conta. E aí, vamos fazer alguma coisa?
MARIA DE FÁTIMA: O que podemos fazer?
CAROL: A Tati tá naquela festa, vamos?
MARIA DE FÁTIMA: Você quer mesmo ir? Tá bom, vamos.

Combinamos então de ir à tal da festa. Mais uma vez o contexto explicado. Desliguei o computador, troquei de roupa e fiquei esperando a guria ligar. Como estava começando a cair no sono, liguei para ela falando que se não saísse em dois minutos, acabaria dormindo. Combinamos então de nos encontrarmos na portaria do prédio dela. Lá fui. Chegamos praticamente juntas e subimos para que ela trocasse de roupa. Enquanto a rapariga se arrumava, eu contava todos os acontecimentos até o ponto de me encontrar com ela. A menina mal sabia que faria parte da continuação da saga.

A FESTA

Carol estava muito animada e já calibrada de saquê e cerveja. Estava pronta para uma noite arrasadora de muita diversão e dança. O que ela não sabia era que nada seria como o imaginado.

Entramos na festa e Carol se sentiu um peixe fora d'água no meio de todas aquelas pessoas vestidas de preto. Mulheres e homens com maquiagem pesada, meia arrastão nos braços, cortes de cabelo característicos, acessórios variados e até algumas pessoas fantasiadas. Me lembrou muito a minha adolescência.

O lugar estava cheio às quase 3h da manhã. Tentamos procurar Tati e Mel, que estavam juntas, numa operação pente fino que quase fracassou. Como já era meio tarde, eu imaginava que elas poderiam ter ido embora. Quando Carol indagou "e se elas já tiverem ido embora?" eu disse imediatamente que arrebentaria a cara delas se esse fosse o caso. Quando já estávamos quase chegando à conclusão de que as meninas já tinham partido, alguém me pega pelo braço. Era Tati. Tanto eu como Carol ficamos aliviadas e felizes de saber que teríamos companhia.

Daí para diante ficamos conversando e comentando o que se passava ao nosso redor. Éramos quatro peixes coloridos de águas rasas infiltrados no meio de um vasto cardume de peixes abissais. Fiz questão de repetir que havia avisado acerca da natureza da festa. Para mim o evento teria sido bom se o som do lugar tivesse alguma qualidade, porque a música tocada era boa. Infelizmente não dava para ouvir nada direito. Tudo parecia o som da pista de dança que ouvimos abafado dentro do banheiro, amplificado à última potência. Sendo assim só nos restou observar as pessoas e falar sobre elas.

Depois de algum tempo nos cansamos e resolvemos ir para algum outro lugar. A única possibilidade era a Pizzaria Guanabara, a eterna da noite.

A PIZZARIA

As meninas também estavam de carro, então nos separamos. Carol foi comigo. Quando chegamos à pizzaria, Mel e Tati já estavam sentadas. A mesa, única disponível, ficava num lugar estrategicamente complicado: a entrada. Claro que elas sentaram uma ao lado da outra nas cadeiras opostas à entrada. Lógico que para mim e Carol (as predestinadas a gafes e tropeços da mais vasta sorte) restou sentar com as costas coladas à entrada do recinto. Tudo que queríamos era terminar a noite tendo uma conversa agradável entre amigas da forma mais relax possível. Mal sabíamos o que estava para acontecer.

Tendo trocado de ambiente, o tipo de freqüência do lugar era bem diversa daquela da festa. E diversa dentro de uma variedade extremamente ampla. A quantidade de tipos e figuras diferentes que freqüentam o lugar o tornam comparável a um ecossistema de fauna riquíssima, algo como a floresta amazônica.

Ficamos ali sentadas nos divertindo com nossas histórias engraçadas, trocadilhos e impressões das pessoas em volta. As meninas pediram comida. Tudo correndo normalmente. Em um dado momento formou-se uma fila enorme do lado de fora do restaurante e a coisa foi ficando tumultuada. As pessoas se amontoavam na entrada em cima de mim e Carol, nos espremendo contra a mesa. Um caos instaurado. Carol quase teve seu rosto levado a dar um mergulho em seu prato de sopa enquanto eu recebia bolsadas, cotoveladas e até barrigadas na cabeça e nas costas. Um caminhão de lixo ficou horas na rua fazendo um barulho insuportável, servindo de complemento ao ensurdecedor som das conversas sobrepostas das pessoas.

Ivan, o maitre, tentava organizar a loucura daquelas pessoas quimicamente alteradas que resolveram todas ao mesmo tempo entrar no restaurante. A primeira mala sem alça foi uma "dama da lama" que ficou me molestando com a bolsa enquanto protestava com Ivan o fato de ter que esperar em pé por sua mesa. A mulher insuportável não parava de reclamar, até que chegou o Paulo Cesar Grande e ela surtou dizendo que não ia deixar o cara entrar na frente dela não, que isso seria a maior sacanagem. Paulo estava em companhia de uns figurões do samba do Rio de Janeiro. Depois de um tempo, a "Maga Patalógica" conseguiu entrar e se alocar em uma mesa atrás da nossa na diagonal. Alívio.

Continuamos a nos divertir com a fauna de pavões e afins que passava por ali. Foi então que um homem enorme e gordo chegou para tornar tudo ainda mais "agradável" do que já estava. Ele estava fumando e segurando o cigarro na maior displicência possível. Eu e Carol ficamos apavoradas de sermos queimadas e não sentimos que poderíamos fazer qualquer pedido gentil ao "distinto cavalheiro", um dos mais alterados do recinto. Fomos chegando cada vez mais para frente, nos espremendo cada vez mais contra a mesa, até que minhas costelas ficaram quase esmagadas, tornando difícil me movimentar e respirar. Foi então que um grupo maior de figurões da escola de samba entrou no recinto sem respeitar a fila com o consentimento de Ivan. Isso despertou a fúria do senhor com o cigarro na mão e ele disse alguns impropérios para Ivan e para os sambistas ornados com jóias de ouro grossíssimas e pesadas. Um figurão que tinha um colar com um pingente enorme de cifrão foi o que ficou mais irado com o protesto do moço gordo e levantou da mesa para agredí-lo fisicamente. O tumulto foi contido, felizmente.

Um tempo de trégua e continuamos com os nossos trocadilhos. Maurício Mattar também estava lá e deu um cheirinho no cangote do Ivan. O rapaz estava nitidamente aditivado. Havia outros famosos, como é de praxe por lá. No dia em questão o pessoal não estava num momento glamuroso.

O fim da linha foi quando do nada, não sei como nem porquê, alguém começa a gritar e a falar alguma coisa paracida com: "Que que é seu viado? Gostou dele?" Rolou uma confusão absurda e o cara do cifrão se enfureceu de tal forma que chegou a perguntar onde estava o revólver. Ele quis sair para pegar a arma no carro. Tudo isso acontecendo bem em cima de nós, quatro moçoilas jovens e indefesas. Ficamos em pânico e levantamos imediatamente da mesa, nos dirigindo para o outro lado do restaurante. As retardadas ainda tiveram a estúpida decência e honestidade de pedir a conta e pagá-la. O medo foi tanto que Carol esqueceu o celular na mesa, mas consegui perceber e peguei para ela. Em uma fração de segundos aquele podia se transformar no último dia das nossas vidas. Tive aquela sensação estranha de frieza e quase conformismo com o fim. Sensação que se repete toda vez que me vejo correndo risco de vida. Um tiroteio naquele lugar aberto não poderia ter um final feliz. A polícia foi chamada e um aglomerado se formou na porta da pizzaria.

O DESFECHO

Após conseguirmos pagar a conta, saímos do restaurante e nos distanciamos um pouco. Tive a infelicidade de lembrar que meu carro estava parado exatamente na linha do perigo. Eu e Carol nos despedimos das meninas e resolvemos dar a volta no quarteirão para pegar o carro sem dar de cara com a confusão de novo. Foi aí que tive a idéia de cortar caminho pela Letras e Expressões que se expandiu e agora corta o quarteirão de um lado ao outro. Entramos na livraria e fomos andando. Carol me olhava de uma forma estranha até que me perguntou: "O que estamos fazendo aqui? Você vai comprar alguma coisa?" Expliquei a ela que estávamos cortando caminho e ela ficou aliviada. Imagino que estivesse pensando que eu era uma louca insensível que não estava nem aí para o que tinha acontecido. Algo como "matou a família e foi ao cinema".

É claro que, quando chegamos à outra saída da livraria, encontramos a porta fechada. Tivemos que voltar tudo e fazer o caminho que eu tinha tido a intensão de evitar. Tudo bem. Dentro de todo o drama ocorrido, isso era até um presente.

Deixei a rapariga em casa e dirigi até a garagem do meu prédio com o rádio do carro desligado, curtindo o silêncio para não correr o risco de receber mais nenhuma mensagem musical.

Não trocaria a minha vida pela de ninguém, mesmo se pudesse.

(Leiam o relato no ponto de vista da Carol no blog dela.

Postado por Maria de Fatima às 15:55
Solta o verbo!



Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

Gente, me perdoem a demora, mas as resoluções de início de ano estão me tomando muito tempo e preciso me concentrar para lembrar o melhor possível dos acontecimentos das fantásticas doze horas entre sábado e domingo. Por favor continuem aguardando.
Postado por Maria de Fatima às 17:27
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Domingo, Janeiro 04, 2004

O que aconteceu nas doze horas entre 18h de ontem e 6h de hoje foi tanto que estou precisando de um tempo longo para concluir todo o relato. Sendo assim, espero que tenham um pouquinho de paciência, além de carinho, e esperem até que eu consiga terminar de escrever sobre tudo o que aconteceu.
Postado por Maria de Fatima às 18:23
Solta o verbo!



Sábado, Janeiro 03, 2004

A passagem do ano foi divertida. Na companhia de pessoas especiais, em ocasiões distintas, tive a oportunidade de compartilhar momentos inéditos e espontâneos. Das 51 horas fora de casa, 40 foram passadas acordada e 11 não foram de sono contínuo. 24 hour party people é o que é a comunidade de seres hiperativos e famintos por diversão que moram na minha cabeça.

Enfim, como não podia deixar de ser, sofri um tropeço doloroso ao sair do Barrashopping ontem.

Uma das minhas resoluções para o Ano Novo foi renovar meu guarda-roupa para mudar um pouco o meu visual "wallflower". Fui ao shopping com o Chris e a Ciça. Estava um pandemônio. Rodamos tudo e conseguimos comprar umas coisinhas. Antes de fazer as compras, quisemos comer. Todos os lugares estavam lotados e era impossível encontrar uma mesa livre. Achamos um tal de "Pizza na Hora" e resolvemos comer ali mesmo, por não haver fila e a comida ficar pronta rapidamente. O tal lugar não tinha mesas próprias, então teríamos que encontrar alguma livre na praça de alimentação abarrotada de gente. É claro que não encontramos. Acabamos fazendo nossa refeição em cima de uma lixeira daquelas que agradecem por serem utilizadas.

Na saída estava caindo uma chuva fina. Uso óculos e detesto os pingos que ficam nas lentes e me atrapalham a enxergar. Em geral, se estou sem guarda-chuva, ponho a mão na testa, sobre os olhos, para impedir que a chuva atinja meus óculos. Além de ter feito isso, sem saber ao certo por quê, andei com a cabeça abaixada. Tava mais é parecendo que eu estava me escondendo de alguém. Ciça até me elogiou dizendo que a minha idéia era ótima. Logo após seu elogio,, não deu outra: uma escada enorme de aço "surgiu do nada" e "me golpeou" na cabeça com muita violência. Ciça diz que foi possível ouvir um som intenso por conta da colisão. Sabe quando você sente que alguma coisa se moveu dentro do seu crânio? Em geral isto acontece quando fazemos movimentos muito bruscos com a cabeça. Pois é, pareceu que meu cérebro se descolou das meninges e girou 360 graus dentro da minha cabeça.

Já estou tão habituada a esse tipo de acontecimento que nem parei para "ficar sentindo a dor" como em geral fazemos após traumas como esse. Minha cabeça quicou para trás, consegui manter meu equilíbrio e continuei andando como se nada tivesse acontecido. Chris e Ciça preocupados. Eu, se tivesse visto o mesmo acontecer com outra pessoa, também me preocuparia. Imagino que deve ter sido tenso ver a coisa do ângulo deles.

Da próxima vez, vou tentar lembrar de manter a cabeça erguida.

Postado por Maria de Fatima às 11:37
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