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Quem?: Maria de Fatima
Quando?: século passado
Por que?: terapia ocupacional

Bom dia!









Quarta-feira, Dezembro 31, 2003

Feliz Ano Novo a todos!

Ilustro a ocasião com uma história acontecida num Reveillon há muitos anos.

Maria de Fátima gostava de ouvir heavy metal. A guria também gostava de se vestir com roupas típicas de quem gosta tanto de heavy metal que praticamente vive a coisa. A Maria de Fátima só não tinha era banda de heavy metal. Que coisa estranha. Punk ela tocava.

Imaginem o ser que era Maria de Fátima com quatorze anos, temida até pelas pessoas na rua com sua pinta de má e suas roupas de marginal praticamente... A questão é que ela não passava nem perto de realmente ser o que a imagem mostrava. A rapariga sempre foi uma criatura boba e domesticada, ingênua até. Boba alegre que saia de mão dada com a mãe para passear na rua. Havia quem achasse que a minha mãe fazia algum tipo de caridade. Era moça de família, bem criada, de classe média, mas parecia uma menina de rua às vezes.

Daí, Maria Metal tinha que passar o Reveillon em casa com a família, como sempre. Chamaram uma família de amigos e todos os coleguinhas felizes comemoraram a data tão feliz em conjunto. O único problema de Maria era que ela tinha aprendido, ou não, a beber com o avô. Se tem uma coisa pela qual ela tinha muito gosto em fazer era beber, assim como os portugueses de sua família. O pai dela não gostava que ela o fizesse, mas no dia em questão resolveu deixar a menina se divertir. O que fez Maria de Fátima? Pegou uma garrafa de vinho do Porto e escondeu-se com ela atrás de uma planta na sala. A sujeita mamou a garrafa atrás da moita e ainda bebeu champagne na passagem do ano.

A rapariga de quatorze anos ficou parecendo uma maria-mole. Foi andar na praia com as amiguinhas e só não virou bife à milanesa porque fizeram questão de segurar a guria pela mão como se ela tivesse algum problema mental que comprometesse sua coordenação motora.

Quem tem medo de Maria de Fátima?


Postado por Maria de Fatima às 08:38
Solta o verbo!



Terça-feira, Dezembro 30, 2003

Quando danço, tropeço no pé do condutor. Quando caminho, piso em falso nas irregularidades do chão. Quando falo, enrolo a língua e profiro contrários do que quero dizer. Quando ajo, lanço espinhos por vezes. Ainda assim há quem compartilhe bons momentos comigo. Sou muito grata a todos os amigos que tenho. Por isso hoje me deixo escorregar no melado da pieguice para dizer a vocês que o sentido da minha vida só é completo por ter sido eleita para fazer parte da vida de vocês, meus grandes amigos.
Postado por Maria de Fatima às 12:38
Solta o verbo!



Domingo, Dezembro 28, 2003

Fantasticamente nenhum acidente estranho aconteceu ontem na praia. Apenas alguns sustos que o clima deu.

A ida foi uma peregrinação, porque eu e minha amiga Fernanda não estávamos com muita vontade de disputar espaço na areia com ninguém. Ficamos um tempão para decidir a qual praia ir. Ela acabou deixando a decisão na minha mão e resolvi que iríamos a Grumari. É claro que num sábado de sol, depois de muitos dias de chuva, não haveria uma praia que estivesse vazia, mas realmente Grumari foi uma boa escolha. Havia muita gente, mas não foi preciso disputar espaço com ninguém.

Enquanto estávamos no caminho, nuvens ameaçavam cobrir o sol e Fernanda reclamava do meu lado a escolha de um lugar tão distante. No entanto não passou de uma ameaça climática. A reclamação foi continuando à medida que fomos nos tocando que naquela região há menos tempo de sol por causa das montanhas. A demora no percurso fazia temer não poder aproveitar o sol que há tanto esperávamos.

Após disputar espaço com vários motoristas - afinal não houve como escapar de uma disputa - conseguimos estacionar e nos animamos de finalmente estar na praia. Mesmo com muita gente espaço não foi problema, então nos acomodamos rapidamente.

Eu e Fernanda, quando nos juntamos, atraímos certos acontecimentos estranhos. Sempre acreditamos muito, por experiência própria, na lei de Murphy. Além disso, somos pessoas peculiares cujo comportamento é permeado por algumas características que complementam tudo isso.

Ao chegarmos, ficamos um bom tempo discutindo qual seria a melhor posição para colocar as cangas. " Vamos ficar de frente para o sol ou de frente para o mar? E o vento? Que tal tentarmos obedecer a direção do vento? Aí vamos ter que ficar em diagonal..." Acabamos ficando de frente para o sol após um longo momento de divagação. Nada mais lógico para quem estava com vontade de pegar uma cor.

Ficamos lá estendidas conversando felizes de estar onde queríamos, num lugar tão bonito, tomando banho de sol. Foi então que tivemos vontade de cair no mar. Foi o segundo momento de empaque na hora de decidir alguma coisa. Quem olharia as nossas coisas? Ficamos horas discutindo a qual dos grupos a nossa volta pediríamos para olhar as nossas posses. Séculos depois a dúvida era se deixávamos as coisas com as pessoas ou se as incumbiríamos de olhá-las à distância. Foi uma demora incrível para decidir esse " destino da humanidade" . Acabamos tomando uma decisão e caímos no mar. Uma delícia. Tive a prudência de me manter perto da areia para não correr os riscos a que me exponho em geral quando quero me divertir no mar. Fernanda foi solidária e não foi para a arrebentação como queria. Alívio. Mesmo assim, estando num local de água tão calma, consegui convidar um pouco d'água a entrar no meu nariz. Mas não foi nada de mais.

Depois de sair do mar e ver que nada sério tinha acontecido, fiquei feliz e pensei que nada mais poderia se transformar num drama. E isso foi verdade, mas o tempo deu uma cutucada na gente. Teve um momento no qual resolvemos rearrumar as nossas cangas e o vento quase nos levou pelo ar. Quando vi que tentar insistir com o vento não seria uma boa idéia, me levantei e esperei por uma calmaria. Fernanda permaneceu na areia segurando sua canga e tentando defender o rosto do vento. Ela literalmente comeu areia.

Passado o momento "Twister" nos acomodamos novamente e calmamente. Uma coisa incrível aconteceu. Uma nuvem se formou bem acima de nós e um trovão aconteceu sem o menor sentido. A praia toda estava descoberta. Foi um fenômeno, mas felizmente não passou de uma brincadeira de São Pedro. Acabou não chovendo.

O incômodo final foi um trio que se encontrava atrás de nós. Eles estavam na boa a princípio, só que estavam bebendo e, como todos que bebem muito, foram ficando surdos e compartilhando com todos em volta fatos muito "interessantes" de suas vidas. Que pessoas eram aquelas? Eu não queria ter ouvido metade do que eles estavam dizendo. Se a maior parte da população tem pensamentos daquela sorte, acho melhor agora alguém apertar o detonador e acabar logo com isso. Mesmo que quiséssemos não conseguíamos abstrair daquela conversa horrorosa. Contudo, após o incidente com as cangas, chegamos à conclusão de que era melhor ficar ali mesmo para não passar por outra situação embaraçosa.

A volta da praia foi tranqüila até chegarmos em Copacabana, bairro onde Fernanda mora. É claro que eu não tomaria conhecimento de que estava ocorrendo um show na praia de Copa. Enfrentamos um trânsito absurdo e demorei séculos para chegar em casa.

Nada disso fez a tarde ser menos proveitosa. Para falar a verdade, nem sequer abalou o aproveitamento da ocasião.

Postado por Maria de Fatima às 12:19
Solta o verbo!



Sábado, Dezembro 27, 2003

Que bom que o sol saiu! Tô precisando fazer fotossíntese. Nossa que bobagem...

Daqui a pouco tô na praia. Tomara que não chova. Hehe.

Caindo no mar, com certeza haverá um post sobre isso amanhã. Maria de Fátima no mar... E fico besta só de pensar que quando era pequena quase cheguei a participar de competições de natação sérias. O que faz a gente desaprender?

Postado por Maria de Fatima às 12:49
Solta o verbo!



Sexta-feira, Dezembro 26, 2003

Tropecei e caí.

Me joguei na frente do carro e caí.

Fiz a curva errada de bicicleta e caí.

Escorreguei do muro e caí.

Foram tantas as vezes que perdi o controle do meu corpo que nem sei como ainda é possível que eu caminhe sobre a terra. Com certeza tenho mais de sete vidas.

Por que não pára de chover?

Postado por Maria de Fatima às 14:29
Solta o verbo!



Quarta-feira, Dezembro 24, 2003


Feliz Natal a Todos!

Quase enfiei a mão na cara da filha de uma amiga da minha mãe que passou um Natal aqui em casa. Ela era pequena e gostou muito da minha gata persa fofa e amada. Sabe o que ela fez? Pegou meu bicho tão estimado, pôs dentro de uma fronha e ficou andando para lá e para cá com a gata presa, em pânico, lá dentro. Tentei convencer a menina de todas as formas possíveis usando a calma e a diplomacia. A garota só fazia ameaçar gritar quando eu colocava a mão no saco para tentar tirá-lo calmamente da mão dela. Fui até minha mãe e disse com estas palavras: "Se você não fizer alguma coisa eu enfio a mão nessa garota."Uns momentos depois a gata estava livre e assustada. Até hoje ela tem trauma e não pode ver criança que eriça os pêlos e mostra os dentes.

Um beijo a todos! Divirtam-se!

Postado por Maria de Fatima às 15:46
Solta o verbo!



Terça-feira, Dezembro 23, 2003

Até quando me dou bem, me dou mal.

Minha vida escolar foi um fracasso no quesito convivência e interação com os colegas. A galera me achava brega e nerd. Continuei sendo brega por muito tempo, mas deixei de ser nerd na oitava série. Enfim, isto apenas quer dizer que eu era muito sozinha na escola.

Teve essa vez na primeira série que aconteceu uma coisa um tanto surreal que fez com que todos confirmassem a minha fama de nerd, coisa que não faz o menor sentido hoje em dia. A minha turma não era uma turma problemática. As crianças até que se comportavam bem e faziam seus deveres de casa. A cobrança neste sentido era muito rígida.

O que aconteceu foi que no dia em questão ninguém tinha feito o dever de casa a não ser eu, que não sei como fui agraciada com um momento mágico de audição supersônica ou poder telepático que me fez saber qual era a tarefa a ser feita.

A professora esbravejou com a turma e ainda me usou como exemplo para meus colegas. Ela fez a turma toda ficar de castigo e não descer para o recreio menos eu. É claro que todo mundo ficou com uma certa raiva de mim. Ninguém disse nada diretamente, mas os olhares de "ai que nerd mala" eram nítidos nos rostos de todos.

Foi um horror descer sozinha. Como se já não bastasse sempre brincar sozinha... No final do recreio as filas se formaram no pátio e na minha turma só havia eu. Meninos e meninas de outras turmas me parabenizaram dizendo que eu tinha mandado muito bem ou sei lá o quê. Quanto mais me elogiavam, mais eu me sentia humilhada e diminuida. Não consegui ver a coisa pelo lado bom, como as outras crianças fariam. Tal episódio só corroborava o fato de que eu estava absolutamente sozinha naquela escola. Cheguei a derramar umas poucas lágrimas que fiz questão de esconder engolindo o choro para não chamar mais atenção do que já chamava sendo a única da fila.

É muito engraçado ver como as coisas se transformam tanto. Se a Maria de Fátima de hoje se pusesse no corpo da Maria de Fátima de ontem, com certeza ela se divertiria com tal situação de elevar o ego.

Se ontem eu tinha horror às pessoas, hoje me delicio com elas.

Postado por Maria de Fatima às 21:08
Solta o verbo!



Segunda-feira, Dezembro 22, 2003

Fiquei presa porque minha bolsa ficou grudada num chiclete vindo do espaço, sei lá como.
Pelo menos não sentei no tal chiclete.

Postado por Maria de Fatima às 04:12
Solta o verbo!



Domingo, Dezembro 21, 2003

E a Mari? Pousa?

Hahahahahaahahah!!!!!!!

Essa é pra você, Clodin!!!!!

Postado por Maria de Fatima às 16:58
Solta o verbo!



Sexta-feira, Dezembro 19, 2003

Como filho de peixe, peixe é, conto uma rápida de minha mãe.

Muitos anos atrás num enterro, mamãe dá os parabéns à viúva ao invés de dar os pêsames.

Típico.

Postado por Maria de Fatima às 15:25
Solta o verbo!



Quinta-feira, Dezembro 18, 2003

Uns meses atrás provei para mim mesma que a melhor escolha que fiz foi ter feito faculdade na área de ciências humanas.

Era um dia em que eu estava resolvendo problemas burocráticos na rua. Me bateu uma sede e aproveitei para tomar um mate. Na hora de pagar dei umas moedas a mais para o caixa com o intuito de facilitar o troco. O mate custava oitenta centavos e dei uma nota de cinco, se não me engano, acompanhada de duas moedas de dez centavos. Qualquer ser humano de cara veria que as duas moedas de dez centavos não tinham utilidade nenhuma a não ser servir de motivo para eu mesma me fazer passar vergonha. Ele devolveu as moedas e me deu o troco. Fiquei insistindo com ele que ele tinha que ficar com as minhas moedas. Ele tentou me explicar várias vezes que a minha conta estava errada, mas não dei o braço a torcer e acabei vencendo o rapaz pelo cansaço. Ele ficou com meus vinte centavos a mais e fez uma cara um pouco estranha de quem por dentro pensava: Que lunática! Contudo só me dei conta do significado da expressão dele depois.

Bebi meu mate feliz e saí muito satisfeita comigo mesma e a minha honestidade. Uns metros adiante a ficha caiu e o sorriso de satisfação que eu carragava no rosto se desfez imediatamente e a minha expressão se tornou o espelho da vergonha. Senti um calor nas orelhas e até fiquei arrepiada. Me senti a mais burra das mortais de todos os tempo no universo. Impressionante como me auto-saboto em toda oportunidade que aparece.

Postado por Maria de Fatima às 17:25
Solta o verbo!



Quarta-feira, Dezembro 17, 2003

Desculpem-me o "desabafo" de ontem. As pessoas têm perdido a paciência com essa minha ausência aqui e não me visitam mais. Tudo bem, eu entendo. O problema é que não é sempre que consigo tempo ou tenho estado de espírito pra escrever. As coisas andam um pouco confusas pra mim.

Apesar disso vou contar uma história hoje. Uma das peripécias de sempre. Preciso rir um pouco. Não é nada de mais, mas é meu comportamento.

A sem noção aqui tem mania de dizer as coisas sem medir as conseqüências. Pois bem, sexta-feira 5 deste mês teve o lançamento de um livro de fotos do qual participei da equipe técnica. Estava muito feliz com o resultado do trabalho e chamei a família e vários amigos para o coquetel. Maravilha.

Estou lá conversando com uma amiga e resolvo contar para ela que alguém muito interessante que toca com uma outra amiga minha estava lá, mas que infelizmente estava namorando. Teci alguns elogios e comentários maliciosos. De repente me dei conta de que o tempo todo as duas pessoas em questão estavam atrás de mim ouvindo tudo. Foi um espetáculo. Quis me esconder imediatamente. Logo após eu tentar sumir, o casal resolveu ir embora e me olhou com um riso debochado. Gafe das boas.

Em um outro momento, após umas tacinhas de vinho, resolvi falar mal da capa alternativa do livro. É que a capa oficial quem fez foi um amigão meu que é um ótimo artista plástico e a capa dele quase tinha sido vetada por umas questões com as quais não concordo, mas que não vêm ao caso agora por motivos éticos. Pois é, naquela hora mandei a ética para o escambau e falei mal da tal capa aos quatro ventos. Senti uns olhares, mas nunca vou saber qual foi a real repercussão da coisa. Na minha opinião, o destino me liberou de uma situação horrível na qual eu teria que me explicar para as "autoridades" presentes no evento.

A terceira gafe foi quando resolvemos ir a um bar para continuar a comemoração depois do coquetel na livraria. A mesa era muito extensa e eu tinha chegado um pouco depois com duas amigas. Sentamos numa das pontas da mesa, onde não havia quase ninguém que eu conhecesse. O que foi que resolvi dizer bem alto para todos ouvirem? Eu disse: "Vamos sentar lá do outro lado onde tem gente legal? Aqui não tem ninguém legal." Que ser humano sem o menor tato diz isso? Não conhecer as pessoas não significa que elas não prestem para nada. Eu até tentei consertar e disse que o que eu queria dizer era apenas que do outro lado havia pessoas muito legais que eu conhecia, sem querer ofender os desconhecidos da ponta onde estávamos. É claro que explicar essas coisas nunca adianta. Quando o estrago está feito, não há como recontruir os escômbros. É por isso que a primeira impressão minha que fica em uma grande quantidade de pessoas é tão negativa. Mas quem me conhece sabe que as coisas que falo são como a minha coordenação motora: não tenho o menor controle sobre elas. Isto não quer dizer que eu seja uma pessoa má.

Postado por Maria de Fatima às 17:50
Solta o verbo!



Terça-feira, Dezembro 16, 2003

Alguém ainda se lembra de mim?

Há tanto que não venho aqui falar de mim. Ando sem o que falar. Sem o meu bom humor quando estou sozinha. E pra escrever sempre estou sozinha.

Talvez hoje eu invente uma história pra contar e não deixar isso aqui no vazio.

Vamos ver o que posso fazer...

Era uma vez Erinalva. Moça bonita, mas de rosto comum a se perder numa multidão. Garota inteligente até, mas reprimida. Erinalva é meio Macabea. Defini-la assim é suficiente.

Erinalva trabalhou a semana inteira e no sábado quis sair pra se divertir. Pegou seu caderninho de telefones e foi vendo pra quem poderia ligar. Passou os olhos uma vez por todos os nomes e ficou com vergonha de si frente a todos eles. Roeu os cantos da unhas por um tempo e acabou escolhendo uma pessoa pra ligar. Discou o número de supetão e ficou com o coração na boca enquanto esperava alguém atender. Quase enlouqueceu com o toque demorado do telefone em seu ouvido. A amiga dela atendeu, mas estava de saída e não pode dar atenção alguma a Erinalva. A moça se deprimiu e acionou imediatamente a teoria da conspiração contra si. Erinalva é moça histérica.

Por que Erinalva? Por que essa tristeza? Não quero mais falar dela. Isso é história de Alice e aqui não é o espelho dela.

Parece que eu tô precisando dar com a cara num poste depois de escapar da queda de uma bigorna na minha cabeça. Disso eu posso achar graça. Que tal ganhar mais uma cicatriz no corpo?

Meus cabelos não decidem se querem ficar brancos ou não. Já contei que meus cabelos brancos volta e meia param de crescer brancos e voltam a crescer castanhos? Tenho alguns fios guardados desse fenômeno. Ontem achei um fio novo completamente branco. Na verdade ele parece ser transparente.

Cansei.

Postado por Maria de Fatima às 18:41
Solta o verbo!



Sexta-feira, Dezembro 05, 2003

Vamos então concluir o episódio da pancada na cabeça.

A terceira e última história de que lembrei foi muito dolorosa embaraçosa.

Tenho uma amiga que gostava de promover festas para divertir os amigos e arrecadar algum dinheiro. Em geral ela só conseguia mesmo era divertir os amigos, porque sempre dava algum prejuízo.

Na ocasião ela planejou uma festa num enorme galpão que geralmente é alugado para eventos da mais variada gama. Apesar do tamanho do lugar, o evento foi um sucesso. Ficou lotado.

Nessa época eu ainda estava naquele namoro que me tornou alguém sem muitas vontades de sair de casa. Sendo assim, essa minha amiga contou com a minha ausência em vários de seus eventos. Contudo, dessa vez me senti na obrigação de ir para não fazer desfeita mais uma vez.

Sempre fui uma pessoa com péssima noção de localização das coisas, especialmente se o lugar em questão for distante da minha vizinhança. E o local da festa era super longe daqui. Para completar, o céu estava se desfazendo num aguaceiro devastador. Eu, o então "Sol da minha vida" e mais uns amigos, nos atochamos dentro de um Uno e fomos festejar. Motivo de sobra para que eu ficasse tensa havia: chuva torrencial e a direção habitualmente F1 da motorista do carro. A maravilhosa administração dos políticos do nosso estado fizeram com que quase não fosse possível chegarmos por causa do alagamento que tomou conta das ruas. Como a chuva tinha começado havia pouco tempo, a altura da água não foi suficiente para nos fazer boiar. Felizmente o máximo que aconteceu foi meu coração ficar na iminência de sair pela boca e nos perdermos rápidamente e depois nos encontrarmos. Não foi tão trágico quanto os dramas que faço no geral.

Após rodar um bocado, chegamos ao local da festa super animados para encontrar nossos amigos e nos divertir a valer. Quáquáquá! Essa expressão é é ótima! Isso me lembra outra: alguém ainda fala "a beça"? Cara, foi legal à beça! Quáquáquá! Desculpem, ando rindo a toa.

Enfim, foi um mega encontro muito divertido até a hora que eu tinha que trocar os pés pelas mãos e provocar um acidente, que felizmente só envolveu a mim. Tive vontade de ir ao banheiro e, da primeira vez que fui, tive a infelicidade de entrar numa cabine cujo teto tinha uma bruta infiltração por causa da chuva. Fiquei com as costas molhadas. Enfim, isso não foi um problemão. Tava calor e minha roupa secou rápido. A tragédia toda ocorreu da segunda vez que fui ao banheiro. Sabendo da goteira da cabine que tinha usado anteriormente, fiz questão de procurar uma que não tivesse o mesmo problema. Encontrei e fiz tudo normalmente como qualquer pessoa. A fatalidade se deu quando fui puxar a descarga. Ao puxar a corda fui agraciada com uma inundação. A parte feliz da inundação foi que a água que jorrava saía do cano que deveria estar preso ao vaso, mas que pela precariedade das instalações estava completamente solto. Sendo assim a água era limpa. A ecatombe que se abateu sobre mim ocorreu por conta da minha histeria nata e dos meus reflexos sem noção. Eu estava com uma sandália de pano então senti a necessidade de sair correndo da cabine. A primeira coisa que fiz foi empurrar a porta em pânico. Não havia como sair dali empurrando a porta porque se tratava de uma porta sanfonada de correr. Sendo assim, minha histeria fez com que a capacidade de raciocinar fosse anulada em mim. Acabei tendo o infeliz impulso de subir na privada, que, é claro, estava solta do chão. Eu deveria ter imaginado que tudo naquele banheiro estava solto como o cano que causou toda essa minha reação. É lógico que a privada virou em cima da minha perna direita com todo aquele conteúdo nefasto sendo despejado no meu pé com a sandália de pano. Tive vontade de amputar o pé de tanto nojo que senti de mim mesma. O bom foi que não quebrei nada. A dor foi absurda e para variar o acontecimento me deixou uma marca na perna. Daqui a pouco eu mesma me apelido de Frankenstein, colcha de retalhos, "crash test dummy" ou qualquer outra coisa do gênero.

Ainda bem que eu estava sozinha na hora que o mundo desabou na minha cabeça. Saí do banheiro mancando com o pé encharcado naquela nojeira, com cara de desolada e pensando: Eu quero morrer agora!!!! Daí, andando lentamente, praticamente me arrastando, fui procurar alguém para quem contar o acontecido e, desta forma, torná-lo menor. Encontrei uma amiga que naquele exato momento estava sozinha. A menina que estava com ela tinha ido pegar algo para beber. Ela olhou para mim e perguntou o que tinha acontecido. Imediatamente meu semblante mudou e ficou irônico ao contar o que tinha se passado. À medida em que eu relatava os fatos a guria ia perdendo cada vez mais o controle de tanto rir. E eu ria junto com ela, não gargalhava como ela, mas o sorriso irônico não saia do meu rosto. Até consegui me divertir enquanto contava, mas depois não deu para suportar aquele pé. A noite tinha acabado para mim. Me sentei num canto da pista de dança descalça e fiquei esperando a hora de ir embora no mais absoluto incômodo.

O meu consolo nisso tudo foi ter dado algum tipo de conforto à minha amiga que tinha promovido a festa saindo no prejuízo e sendo super mal tratada pelos administradores do lugar. Até chegaram a reclamar com ela que uma vândala tinha destruído o banheiro feminino. Ela gostou de saber da destruição porque se sentiu vingada pela forma que tinha sido tratada. Ela perguntou às pessoas se sabiam quem tinha quebrado tudo e quando contei a ela que tinha sido eu e que não tinha nada a ver com vandalismo ela se acabou de rir e me agradeceu. É incrível como sempre sai algo de bom dessas situações absurdas, desconfortáveis e por vezes perigosas que acontecem comigo.

Postado por Maria de Fatima às 11:10
Solta o verbo!



Segunda-feira, Dezembro 01, 2003

A segunda história da qual lembrei por conta da pancada na quina da prateleira dos copos foi uma que aconteceu na cozinha aqui de casa alguns anos atrás.

O dia estava sendo horrível porque eu estava vivendo o primeiro ou segundo ano de um relacionamento intenso e marcado pelo ciúme e pela posse que durou praticamente seis anos. No dia em questão tínhamos tido uma daquelas duzentas mil brigas por motivos infundados que levaram a um rompimento reversível, mas absurdamente doloroso como todos os outros foram. Eu estava arrasada, devastada por dentro.

Na época a moça que trabalhava aqui em casa não gostava de mim e tinha muita má vontade comigo porque não aprovava o modo que eu vivia a minha vida. Como se ela tivesse algo com isso.

Enfim, me sentindo oca por dentro e com um nó na garganta, fui até a cozinha pegar um copo d'água e eis que uma tragédia recai sobre mim. A moça estava cozinhando e tinha posto um prato de carne para fazer bife na pia mal apoiado e meio projetado para fora da bancada. Como eu estava quase desabando sem força para nada, acabei esbarrando no prato com quase um quilo de carne quando me estiquei para pegar um copo no armário acima da pia. Aquele prato pesado caiu no meu pé e se espatifou sobre ele. Detalhe: era um Duralex. E o prato caiu bem em cima da minha unha, bem onde ela nasce. Urrei de dor e saí correndo pela casa desesperada com lágrimas involuntárias escorrendo pelo rosto. Sabe o que a moça fez? Aquela moça que nunca gostou de mim? Ela caiu na gargalhada. Ficou um tempão rindo de mim. Ela jamais sorria ou sequer esboçava uma expressão qualquer de simpatia. Nesse dia ela se descontrolou de tanto rir.

Tive uma pequena hemorragia no dedão do pé esquerdo e o trauma me deixou sem movimento no tal dedão por um mês. A pressão do sangue que ficou preso na unha foi piorando cada vez mais a dor. Tive que ir ao médico furar a unha para o sangue sair. Um horror. Acabou que, com a entrada do ar entre o dedo e a unha, alguns microorganismos se instalaram no local, se alimentando daquele resto morto de sangue que estava lá. O resultado foi que depois que a unha caiu uma micose se instalou na unha e lá está até hoje, anos depois, como uma cicatriz pequena e quase imperceptível, mas viva e marca de uma grande infelicidade.

Postado por Maria de Fatima às 13:22
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