|
|
|
|
|
|
Quarta-feira, Novembro 26, 2003
Por favor não me deixem! Estou muito enrolada esta semana, então o tempo para escrever não tem existido. Em breve, mais histórias para vocês.
Postado por Maria de Fatima às 15:34
Solta o verbo!
Quarta-feira, Novembro 19, 2003
Como tinha prometido, aí vai o relato da minha festa de aniversário.
Há anos não comemorava a passagem de minhas primaveras por motivos diversos. Tantos que não vale a pena discorrer acerca deles aqui. É público e notório que sou uma pessoa um tanto pessimista e isso contribuiu sempre para que na época de fazer aniversário eu sempre encarasse a passagem do tempo como o anúncio da proximidade do fim. Meu fatalismo hoje ao menos me diverte. Por isso escrevo este blog.
Devido a uma série de coisas ruins que aconteceram este ano, percebi que era necessário valorizar mais a minha vida e as pessoas à minha volta. Deste modo, resolvi comemorar meu aniversário reunindo um grande número de pessoas que muito significam para mim. Fiquei matutando onde poderia realizar o grande evento e minha querida amiga Angela ofereceu seu apartamento para tal fim. Perfeito, maravilhoso! Nada melhor do que uma comemoração em casa, sem hora para acabar ou preocupação com conta para pagar no fim da noite, além de que as pessoas presentes todas ficam contextualizadas com o evento mesmo que não conheçam a anfitriã.
Dia 8 de novembro de 2003, sábado. Dois dias antes da data oficial. Tive que escolher o sábado porque em geral meu aniversário cai numa terça ou quinta. As pessoas acabam não podendo ir. Este ano a data caiu numa segunda-feira. Ninguém merece aniversário na segunda! Passei a tarde toda no computador, como sempre, e acabei não me tocando de que um certo tempo era necessário para arrumar o apartamento e tal. Tranqüilamente saí de casa umas 20:30 para pegar a Angela e irmos preparar tudo. Chegamos às 21:30 após ter ido ao supermercado e ao posto comprar gelo. O fantástico é que eu tinha marcado com todo mundo às 22:00. Tudo bem que ninguém chega na hora, mas Joselito (sem noção para quem não sabe) mandou lembranças! Há muito tempo a Angela não freqüentava a própria casa, então precisávamos fazer bastante coisa. Pela primeira vez na história, o tempo não me sacaneou. Eu Angela e Marina (uma amiga que chegou antes porque vinha de muito longe) pusemos a casa em ordem, menos um cômodo, em pouco tempo. Ficou tudo um espetáculo. Só que havia pouco espaço disponível para o número exorbitante de pessoas que convidei tendo dito a todos que poderiam levar companhia. As pessoas foram chegando e foi ficando apertado. Daí concordamos que seria imperativo arrumar o quarto que Angela usa como depósito de tudo o que não tem saco para arrumar. Em cinco minutos, num passe de mágica, movemos toneladas de coisas para dentro do armário num movimento que mais parecia uma coreografia agressiva de dança contemporânea: braços catando coisas em todos os lados, corpos se abaixando e levantando, se contorcendo e se equilibrando para gerenciar o caos absoluto. Coisas voando pelo ar e sendo atraídas para dentro do armário como se fossem teleguiadas. Lindo! O mais espetacular foi que os convidados nem perceberam nada. Perfeito. O problema de espaço estava resolvido e tudo continuou transcorrendo na mais perfeita alegria.
Até aí tudo bem, nada de mais. Agora vamos explicar uma outra parte da história. Estou sozinha há bastante tempo e todos os meus amigos já não me agüentam mais reclamar por causa disso. Fico enchendo a paciência de todos querendo saber o que eles acham que falta em mim para que ninguém se interesse e para que me apresentem alguém interessante. Em quase dois anos tive apenas uns pouquíssimos encontros que podem ser contados nos dedos de uma mão. Sandices a parte, o que importa é que nem na minha festa de aniversário apareceu alguém que se interessasse por mim. Sendo desbocada e impulsiva como sou para falar bobagens e comprometer a minha própria imagem, comecei a gritar com termos bastante chulos que não havia ninguém que se dispusesse a ter um contato íntimo comigo, se é que vocês me entendem. E gritei bastante mesmo. Imaginem o ser humano que se expõe assim querendo que alguém se interesse. É claro que ninguém vai querer nada. Não satisfeita com essa linda cena, uma fatalidade me impulsionou a piorar ainda mais as coisas. Sentada numa cadeira, plácida e singela, já sem gritar, estava lá calma rindo, conversando e bebendo uma latinha de cerveja. Quando o conteúdo da lata se encontrava quase no fim, senti algo estranho entrar na minha boca. Por engano peguei uma lata que havia sido usada como cinzeiro e fui agraciada com uma linda e, porque não, apetitosa guimba de cigarro encharcada em cerveja. Imaginem a fúria que tomou conta de mim quando constatei o que era aquele objeto repulsivamente asqueroso. Fui tomada por mais um impulso, levantei da cadeira e, gritando, fiz com que todos parassem com os assuntos que estavam discutindo para dar um anúncio muito importante. Aos berros disse que a partir daquele momento é que ninguém iria mesmo querer ter um contato íntimo comigo em hipótese alguma por conta da tal guimba de cigarro que entrou na minha boca! O acesso de riso foi geral e acabei a noite sem ninguém de novo, é claro. Quáquáquá!!! E teve quem me dissesse: "Fátima, tem coisas que a gente não conta..." Mas francamente, todo mundo se divertiu, não foi? Então o resultado desse absurdo foi muito positivo.
Para fechar tudo com chave de ouro, lá para umas 6:30 da manhã do dia seguinte só havia três pessoas na casa além de mim. Duas delas, Mara e Cecilia, estavam no centésimo sono e só restava o Christiano para conversar comigo. Ele estava muito cansado e resolveu ir embora. Fui levá-lo até a porta e me despedi dele. O problema foi que uma brisa bateu a porta com a chave dentro. Imaginei que não haveria nenhum problema já que as meninas estavam lá. Doce ilusão. Esmurrei a porta e nenhum sinal do outro lado. O porteiro veio esmurrar a porta comigo e ficamos fazendo isso e tocando a campainha incessantemente. Decidimos tentar o interfone e nada. Ligamos para o telefone do apartamento e nada. Tentei o celular da Cecilia e nada. Para piorar tudo eu estava com muita vontade de urinar e tive que pedir ao porteiro que fizesse a gentileza de me deixar usar seu lavabo. Já aliviada da necessidade fisiológica, retornei à porta do apartamento e continuei a saga. Eu tinha acabado de colocar um CD quando o Christiano resolveu ir embora, então isso era um agravante para que elas não me escutassem do lado de fora. Toda vez que uma música acabava eu me debatia contra a porta na esperança de ser ouvida. Cheguei a deitar no chão e cochilar. Felizmente houve um momento precioso (quase uma hora depois) no qual a Cecilia ouviu minhas batidas desesperadas e abriu a porta. Quanta emoção amigos! A porta da esperança abriu para mim! Quáquáquá!!! Foi uma comemoração maravilhosa!
Postado por Maria de Fatima às 17:00
Solta o verbo!
Segunda-feira, Novembro 17, 2003
Aguardem os tropeços da minha festa de aniversário do sábado 8 de novembro. Delícia... Não me deixem só!
Postado por Maria de Fatima às 16:10
Solta o verbo!
Sábado, Novembro 15, 2003
BARBARA! CHEGA MAIS!
Barbara apareceu. Deu um alô bem do jeito dela por e-mail pra Ciça. Após ler o blog da Ciça, (escrevescreve - tem link aí ao lado) apareceu etérea como era de se imaginar. Volátil. Nem por isso tiro o anúncio aqui ao lado. Continuo apelando para que ela SAIA DO POSTO DE OBSERVAÇÃO onde está e desça aqui, nem que seja só um pouquinho, ao mundo dos mortais. Estamos com saudade.
Postado por Maria de Fatima às 17:31
Solta o verbo!
Quinta-feira, Novembro 13, 2003
Um breve tropeço para que vocês não me abandonem...
Ontem tinha combinado de ir a um bar depois da faculdade para a despedida de alguém para quem eu queria causar uma boa impressão. Infelizmente teria que chegar tarde por conta das limitações do meu horário. Coloquei uma roupa legal e fui para a faculdade. No intervalo entre as aulas tive um desejo enorme de comer o churasquinho do Alex, que fica na esquina da Uruguaiana com a Presidente Vargas, aqui no Centro do Rio. Desci e fui fazer meu pedido. Excepcionalmente ontem, a churrasqueira estava liberando um volume muito grande de fumaça engordurada. O resultado disso, é claro, foi a defumação de cada célula do meu corpo. E a tal da boa impressão depois disso? Eu não ia ter como tomar outro banho antes do encontro e tal. Bom, vivemos como podemos. Sendo assim, relaxei e fui ao local combinado. Sentei e comecei a conversar com as pessoas numa boa, ainda querendo causar uma boa impressão, até que me fiz o favor de derrubar um copo de chope quase inteiro na mesa e em mim também. Ficou tudo um lamaçal só e eu, que já estava fedendo a churrasco, fiquei banhada em cerveja. Um espetáculo da minha natureza. A cerveja, pelo menos, deu para lavar dos meus braços, mas o cheiro de churrasco, não teve jeito. O bom de tudo foi que, apesar do meu jeito desbocado e completamente descoordenado, causei uma impressão positiva, talvez uma nada glamurosa, mas definitivamente os bons momentos que vivemos provam que algo de bom ficou.
Postado por Maria de Fatima às 12:16
Solta o verbo!
Segunda-feira, Novembro 10, 2003
BARBARA? CADÊ VOCÊ?
Um breve post para fazer um apelo. Já que recebi visita da Itália, peço ajuda na busca de uma amiga de Roma, desaparecida. Alguém viu Barbara Feliciani por aí? Magra, alta, cabelos castanhos, pele muito alva, 23 anos. Nasceu em 17 de março de 1980. O nome da rua de sua última morada de que tenho notícia era Viale Jonio, não lembro o número. Ela trabalhava em uma produtora, se não me engano. Tem paixão por cinema. A guria é muito culta e sensível. Às vezes essa sensibilidade a faz ser agressiva. Qualquer informação pode ser encaminhada a mim através do e-mail aí no topo da página, na faixa roxa.
Postado por Maria de Fatima às 13:05
Solta o verbo!
Sexta-feira, Novembro 07, 2003
Esta é mais uma história no estilo Happy Tree Friends vivida na primeira metade do meu prolongado curso de letras na UFRJ. Lembrei muito da Carol por causa do 485.
Quem estuda na Ilha do Fundão tem sempre muitos problemas de acesso ao campus da Universidade por conta de sua péssima localização. Até quem mora próximo ao local, vive um verdadeiro calvário para conseguir chegar lá. Sendo assim, é necessário ter muita paciência, bom humor e criatividade para aprender a driblar as mazelas do sistema de transporte.
Morando em Ipanema só havia duas maneiras de chegar lá. A primeira, e mais cômoda, era ir até a Praça General Osório e pegar o tão temido 485, linha do inferno. O incoveniente era a enorme volta turística que a linha dá pela cidade e os pilotos de caça F-15 que dirigem os ônibus. A outra saída era pegar o 461 até a Leopoldina e lá pegar um outro ônibus até o Fundão. O bom dessa alternativa era a rapidez e a considerável diminuição do trajeto. O fator negativo era que se deve andar um bocado do ponto do 461 até o ponto dos outros ônibus. Além disso, devemos escolher que risco correr para atravessar a rua e chegar ao ponto: sair correndo entre os carros e arriscar-se a ser atropelado ou optar pela passarela e correr o risco de despencar lá de cima por conta do estado decrépito do piso da passarela. É ou não é uma aventura?
Uma vez ultrapassados esses obstáculos, o estudante ainda tinha que se preocupar em como se locomover dentro do campus da universidade, que era a Ilha do Fundão inteira. Dependendo da linha de ônibus que você utilizava - considerando, é claro, de onde você vinha - e da unidade para onde você queria ir, era necessário pegar o ônibus interno gratuito oferecido pela universidade. Ó, que maravilha!... Transporte gratuito!... Maravilha o cacete! Se fosse pago seria cara de pau demais. O tal ônibus da universidade era bicho raro que nem Mico-Leão Dourado. Quando aparecia, geralmente estava lotado e sempre faziam caber mais um monte de gente que não usava Rexona dentro. Era um inferno na terra mesmo.
Não bastasse todos esses problemas, várias obras e várias mudanças no tráfego dentro da ilha ocorreram em períodos curtos de tempo, então eu sempre tinha que aprender na marra como sair de lá. Parecia aquele filme "Pague para entrar, reze para sair". Toda hora as coisas mudavam e eu tinha que descobrir onde era melhor pegar a droga do ônibus para ir embora e onde era melhor saltar quando chegava. Na época do evento quase fatal, o local mais perto da Faculdade de Letras que o ônibus passava era a entrada do Centro de Tecnologia, em frente ao Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (será que era mesmo este o significado da sigla?). Isso quer dizer que era necessário caminhar um pouco. Como sou a pessoa mais sedentária e preguiçosa que conheço, fazia de tudo para descobrir um meio de andar o mínimo possível. Foi aí que descobri que se saltasse do 485 no Centro de Ciências da Saúde - do outro lado da ilha - eu poderia pegar o famigerado ônibus interno vazio e chegar confortavelmente sentada até a Faculdade de Letras. Bom, nem tão confortavelmente assim, afinal as pessoas acabavam se amontoando em cima de mim. Pelo menos eu não tinha que andar ou ficar em pé.
No tal dia eu estava cheia de pastas, papéis e apostilas na mão. Assim que o 485 parou no CCS, constatei que o ônibus interno tinha acabado de chegar também e estava parado na pista oposta (era mão dupla), bem em frente ao 485. Saí correndo que nem uma doida e me lancei na rua para conseguir pegar o outro ônibus. É claro que nessas horas de loucura a gente não presta atenção em nada e deixa o corpo seguir sua própria vontade. Nem quis saber o que se passava em volta de mim e só senti um baque e vi minhas coisas voando no ar e caindo no chão junto comigo. Um carro tinha resolvido ultrapassar o 485 que estava demorando demais para descarregar a galera no ponto e eu não vi. Fui atropelada e jogada em cima do ônibus interno. Fiquei meio atordoada e me sentindo ridícula, uma estrupícia de não ter prestado atenção. Me levantei do chão meio mancando, recolhi as minhas coisas do chão, pedi desculpas ao motorista do carro que me atropelou e ainda consegui pegar o ônibus no qual havia sido jogada. Sentei no banco do ônibus aliviada e com a cabeça um pouco enevoada. Cheguei à faculdade e me disseram que estava acontecendo uma manifestação na Reitoria, não me lembro bem o motivo, e resolvi ir lá dar uma força. Tinha uns amigos meus lá e tal. Tenho uma forma física de me relacionar com as pessoas, dou abraços fortes, tapas e chutes carinhosos. Nada violento de fato. Desta forma, as pessoas acabam se acostumando e me cumprimentando da mesma maneira. É claro que uma amiga minha, infelizmente não lembro qual delas, tinha que me dar um chute carinhoso justo na canela atropelada. Não fui capaz de acreditar e ela muito menos no que tinha me acontecido antes de ela me encontrar.
Postado por Maria de Fatima às 00:52
Solta o verbo!
Quinta-feira, Novembro 06, 2003
Minha amiga Alice pede visitas.
Postado por Maria de Fatima às 01:42
Solta o verbo!
Segunda-feira, Novembro 03, 2003
Na minha loucura de guardar coisas, ficam sempre objetos de valor inestimável, como as cartas que ninguém mais escreve hoje em dia por conta da internet e do e-mail. O valor das coisas que ficam escritas no papel com a caligrafia de quem reservou tempo e carinho ao escrever, e depois ainda teve a disposição de postar o que queria dizer no correio... Isso não tem preço. Hoje resolvi que ia começar a tentar me desfazer das coisas inúteis que guardo e ocupam um espaço precioso no meu quarto. Acabei me deparando com a caixa onde guardo as cartas e as mais diversas manifestações de afeto que já me escreveram até hoje. Aquela ansiedade de receber uma resposta após escrevermos uma carta era muito maior e mais preciosa do que hoje com essa história de velocidade e impaciência. E a delícia daquelas "obras de arte" coloridas das minhas amigas na adolescência? Nossa, é impressionante como a gente esquece dessas coisas fundamentais. É claro que acabei lendo várias cartas e vários bilhetes, cartões postais de viagem, cartões de Natal ou aniversário, confissões, desabafos, esporros, ect., etc. Lembranças de gente que nunca esqueço, de gente que já esqueci e de gente de quem acabo me lembrando quando revejo o conteúdo da caixa. Pena que muita coisa tenha se perdido, mas dessas coisas a forte lembrança e a saudade se encarregam de não se deixar apagar.
Postado por Maria de Fatima às 15:51
Solta o verbo!