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Quem? - Maria de Fatima
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Bom dia!









Domingo, Fevereiro 18, 2007

Com força total

A ausência de mais de um ano não quer dizer que realmente a volta por cima aconteceu e a vida se normalizou. De fato tudo continuou na mesma ordem de Murphy e os tropeços foram bem enlameados. O fato é que a espontaneidade de contar as coisas tinha ficado sufocada pela obrigação de ter que postar alguma coisa para que as pessoas continuassem lendo e visitando o blog. Cansei de obrigações e fui ver e viver. Agora estou de volta, mas sem compromisso com porra nenhuma. Não esperem posts em intervalos regulares. E que esta seja a última vez que eu venha aqui para me justificar!

Tudo começou e terminou numa quarta-feira. Começou num inferninho na Lapa e terminou na garagem do prédio. A coleguinha andava com dor de cotovelo e foi encontrar os amigos para uma cerveja e bate-papo. As garrafas vinham para a mesa todas sem rótulo. Cerveja da casa? Gato por lebre? Não fez diferença alguma. Em meia hora todos estavam em processo de mutação genética e o estado híbrido humano-minhoca era evidente no ar.

Todo mundo se jogando, mergulhando de cabeça até que o elixir da verdade bateu e meu lado Poliana arregalou os olhos e saiu correndo em direção à plataforma de lançamento de foguetes mais próxima. Sim, fiquei ainda com mais medo das pessoas do que naturalmente já tenho. Em vários momentos foi como se estivessem contando que Papai Noel não existe, bem naquele ano em que você acreditava que ele ia trazer algo além de um brinquedo ou objeto qualquer. O que as pessoas fazem com os outros e com suas próprias vidas é algo não tão bem documentado pelas artes em geral. Kill Bill está mais para Ursinhos Carinhosos do que qualquer outra coisa perto da realidade desses coleguinhas possuídos. Eles não sabem brincar.

Após sermos expulsos de maneira até bastante delicada pelos funcionários do bar, paramos na casa de um amigo para continuar minhocando. Alguns desistiram no meio do caminho e foram para casa descansar, afinal o dia seguinte era dia de branco. Havia duas moças que eu não conhecia e não fazia idéia de como tinham ido parar lá. Eram duas prostitutas que tinham sido trazidas das proximidades do inferninho onde estávamos. Não tinha reparado nelas antes porque o lugar tava abarrotado de gente. As moças eram bastante gente boa por sinal e pelo menos uma delas detinha um diploma universitário de instituição bem cotada. Mais uma vez, polianamente perguntei quem eram as raparigas e o meu amigo dono da casa respondeu que eram duas putas que um dos malucos tinha trazido numa loucura etílica de se separar da mulher. Quando as pessoas bebem, ou ficam mais apaixonadas e declaram seu amor incondicional e indissolúvel aos quatro ventos, ou se enchem de um senso de liberdade e auto-suficiência que fazem uma diferença pequena ou um microscópico desentendimento no relacionamento tomar proporções megalomaníacas. De fato como tinham todos feito hemodiálise etílica e havia um ou outro com um resto de bom senso, ninguém pulou a cerca e as moças acabaram se cansando e indo embora. Há que se dizer que se não tiraram a féria da noite, saíram de lá tendo dado umas boas risadas. E no dia seguinte, o coleguinha que estava convencido de que devia se divorciar amanheceu novamente apaixonado pela mulher como se nada tivesse acontecido.

Mesmo tendo já trocado todo o sangue do corpo, um dos coleguinhas insistiu muito que fosse aberta uma garrafa de champanhe quente. Ele pediu que eu abrisse a garrafa, porque não estava com condições motoras satisfatórias. Peguei a garrafa e fui girando a rolha devagar para que não estourasse e atingisse algum objeto quebrável na casa. Como naturalmente minha percepção tátil das coisas não andava cem por cento, a rolha acabou estourando e se atirando contra a minha testa. Foi um som bastante alto como um tiro. Um dos rapazes veio ver o que tinha acontecido e eu estava parada olhando para a garrafa num estado letárgico sem falar nada. Ele me perguntou se tinha acontecido o que ele achava que tinha acontecido e eu disse que sim. Ele olhou pra mim com uma cara assustada dizendo que havia uns pontos vermelhos de sangue na minha testa. Eu ri, porque apesar da letargia, não tinha sentido nada além de um susto. Ele ficou preocupado e insistindo no assunto como não entendendo que eu não estava sentindo nada. Ele não conseguia crer que eu estivesse sem dor. Sinceramente eu achei até o fim que ele estava me zoando com a história dos pontinhos de sangue. Isso até o dia seguinte, quando a dor resolveu dar o ar da graça e me acompanhar em todos os momentos.

Os sobreviventes foram emborcando e se desfazendo enquanto eu mantinha o dono da casa acordado ouvindo os milhões de coisas que eu de repente precisei contar pra ele, quase de manhã. Quando o simancol fez efeito, me levantei e fui embora. Desci, entrei no carro e dei a partida. Havia alguma coisa errada, porque meu pé deslizava muito no pedal da embreagem. De cara imaginei que tivesse pisado em merda fresca, mas não havia cheiro ruim no ar. Depois de um certo pedaço do percurso, parei para tentar limpar o sapato. Tirei um pouco do que realmente parecia merda e segui viagem. O pé continuou deslizando, porém um pouco menos até o fim do caminho. Chegando à garagem do prédio, pareceu que tinham convocado uma reunião de funcionários, porque todos estavam lá. Parei o carro atrás de outro e fiquei constrangida com aquela ¿merda¿ fresca. Quem fosse manobrar o carro ¿ a garagem é apertada, então é preciso manobrar um carro para tirar outro ¿ acabaria sujando os próprios sapatos. Sendo assim, ainda fiquei um bom tempo tentando limpar o pedal da embreagem, até que os lenços de papel acabaram. Deu pra fazer um trabalho razoável. Mas entrei no elevador constrangida pensando que todos estariam pensando mal de mim, por terem me visto limpando cocô do carro, que teriam sentido o cheiro da merda nos lenços besuntados daquilo, que eles estariam pensando que eu havia perdido a compostura... Tenho mesmo uma mania patológica de perseguição. Chegando em casa, tirei os sapatos para lavá-los e constatei um cheiro adocicado. Era um bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro! Quem pisa em bolo de chocolate na rua? Quem?

Postado por Maria de Fatima às 12:48
Solta o verbo!



Sábado, Setembro 10, 2005

Graça, gracinha, engraçada se engraçou com o zémané da esquina e pariu um palhaço SO-ZI-NHO. Aprendi a separar sílabas antes de saber o sentido das coisas que eu lia tão diferente das coisas que dizia.

M e A, MA. Põe um R e dá MAR.

Pra quê se eu não sei nadar?

Postado por Maria de Fatima às 03:20
Solta o verbo!



Sexta-feira, Agosto 05, 2005

O palhaço está morto.
Postado por Maria de Fatima às 13:21
Solta o verbo!



Sábado, Maio 28, 2005

O retiro não terminou, mas o blog continua. Nada é como antes e nada permanece da mesma forma.
Um abraço ao presente. É o único tempo que existe.

Postado por Maria de Fatima às 16:57
Solta o verbo!



Terça-feira, Janeiro 18, 2005

Outro dia saí com um amigo. Ele estava empolgado para fazer algo diferente. Encontramos com ouro amigo nosso, num bar em Santa Teresa. As pessoas já estavam completamente bêbadas há horas e o calor do lugar fritava os miolos de qualquer um. Um mau humor foi invadindo o ar, mas eu e meu amigo ainda tínhamos esperança de sair dali para um outro lugar melhor.

Acabou que todo mundo resolveu ir para casa dormir ou trepar e nós ficamos abandonados a nossa própria sorte. Já era tarde para quase tudo. Estávamos com fome e rodamos a cidade em busca de um lugar para jantar. Estava tudo lotado e não havia lugar para estacionar. Foi um tempão até conseguirmos aportar no Manekineko da Cobal do Humaitá. Claro que o rodízio já tinha terminado. Tivemos que pedir tudo à la carte. Faca esvaziando os bolsos... Pedimos um combinado qualquer sem olhar muito o que ele oferecia, apenas pedindo para substituir umas peças que meu amigo de cara não suportava. Tava ok, nota 7, mas havia duas peças que me deixaram em fúria, tamanho o acinte que representavam. As chamadas Palm Shake eram nada mais nada menos que uma pasta mole e seca composta de restos de salmão, com uma fatia de palmito, molho adocicado e "atadas" com um fio do que parecia ser salsa. Pus aquilo na boca para experimentar e só não cuspi por educação. Fiquei completamente transtornada com aquele horror e não parava de reclamar com meu amigo, que se salvou de degustar aquele excremento.

Ao fim da refeição, meu amigo desenhou um círculo de molho shoyu, eu pus a peça lá dentro e ele puxou uma seta de molho para os dizeres também escritos com molho:

"ISSO É HORRÍVEL".

Na hora de pagar a conta, é claro que as máquinas de cartão de crédito estavam com problemas e a gente não tinha outro jeito de pagar. Depois de vários minutos o garçom conseguiu uma terceira máquina que passou, evitando um constrangimento maior. O legal foi que, durante o processo quase fracassado de passar os cartões, o garçom nitidamente tentava segurar o riso por conta do nosso protesto na bandeja. Se alguém consegue rir, algo de bom saiu do trágico.

Postado por Maria de Fatima às 11:05
Solta o verbo!



Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Sempre quis me despir da minha própria pele.

REPEAT > TRACK

Over and over and over and over and over and over and over...

Não fala de Maria

Chico Buarque
1969

Não fala de Maria
Maria lembra mar
Que lembra aquele dia
Que não é bom lembrar
Que dia, que tristeza
Que noite, que agonia
Que puxa a correnteza
E traz a maresia
E bate aquele vento
Que lembra um assobio
Que lembra um sofrimento
Que eu não merecia
Não fala não, te esconjuro
Que só de imaginar
O tempo fica escuro
E o espanto agita o mar
Que lembra aquele dia
Que lembra uma canção
Que faz lembrar Maria
E aí não lembro não
A coisa fica séria
É como um turbilhão
Fazendo uma miséria
No meu coração

Postado por Maria de Fatima às 16:07
Solta o verbo!



Segunda-feira, Janeiro 10, 2005

Viagem orgânica

Andei viajando pelo sul do Brasil de carro e sem pouso certo com três amigos. Estava precisando de um retiro para acalmar meu coração adoentado. Alcancei o objetivo que era voltar mais leve e com energia para fazer algumas mudanças necessárias. Pena que sempre que eu pise no meu tão amado Rio de Janeiro, seja recebida com uma chuva de bigornas de ferreiro. As bigornas que caíram na minha cabeça durante a viagem até que foram divertidas. Foram todas motivadas pela nossa falta de noção de viajar sem saber para onde numa terra que não conhecíamos. Perto da gente, Seinfeld fica no chinelo. Foram bigornas bem-vindas e muitas vezes educativas. Até trouxe uma de lembrança de um antiquário de um dos lugares que visitamos. Não vou dizer o nome do lugar para não ofender ninguém, afinal nunca se sabe quem vai estar lendo. A gente parou lá no meio do nosso percurso a esmo e isso em si foi uma bigornada pesada. A mini bigorna de relojoeiro que comprei ilustra bem isso. Durante todo o percurso até quase o extremo do Rio Grande do Sul a gente encontrou as cidades vazias. Porto Alegre estava deserta. Foi algo bizarro. Só faltava aqueles rolos de palha que circulam com o vento em filmes de faroeste. Então ficamos reclamando entre nós, querendo encontrar gente. Foi nesse lugar que a emenda saiu pior que o soneto. As ruas estavam infestadas de gente como uma praga de gafanhotos bizarros. Era uma gente muito esquisita que jorrava pelas ruas. Não era bem o que a gente estava querendo ou esperando. Não vou falar mais sobre isso porque não é o motivo deste post.

Pena que o resultado do meu retiro tenha ido pelos ares por conta da volta, mas fica a lembrança dos bons momentos vividos com amigos queridos e a doçura das gargalhadas que demos.

Vamos então finalmente ao título deste post. Quem tiver nojo de assuntos que envolvam o sistema excretor humano, por favor pare de ler. O assunto que predominou a viagem inteira foi merda. Falávamos disso o tempo inteiro por conta da prisão de ventre que acometeu a mim e à namorada de um dos meus amigos, fora a produção incrível dos meninos cujo apetite parecia insaciável. Era uma dificuldade enorme de expelir as "esculturas" desde o primeiro dia. Não sou de me preocupar com isso, mas sou extremamente suscetível a paranóias alheias. Sendo assim, a tensão da coleguinha me invadiu e as portas do meu intestino se fecharam para balanço. Aceitei a dica dela e tomei um laxante natural. Ah, como me arrependo... Teria sido melhor ficar entupida. Após um longo passeio turístico por Curitiba, o tal laxante começou a fazer efeito tardiamente. Comecei a ser atacada pela violência da fúria de Péricles (como passei a chamar os movimentos peristálticos) no meio da rua. Quanto mais andava, mais parecia que não ia chegar nunca ao hotel para me livrar daquele sofrimento. O impacto dos meus passos no chão ganhou uma força tamanha que piorava a sensação de fragilidade da contenção da carga interna. Cheguei ao hotel acompanhada de apenas um dos amigos que viajaram comigo. Ele estava consternado com a minha situação, mas não conseguia conter o riso, afinal eu estava pálida, suando frio e mordendo a alça da bolsa de tanto desespero. Quando o elevador parou no nosso andar, ele saiu correndo para abrir a porta do quarto. Entrei intempestivamente no banheiro e imediatamente emagreci alguns quilos num piscar de olhos. A situação estava tão feia que minha barriga estava extremamente redonda e esticada que eu parecia ter aplicado uma quantidade imensa de botox nela. Conseguiria passar por grávida com certeza e poderia ter participado de uma daquelas propagandas de produtos para emagrecimento rápido. A diferença entre o antes e o depois era impressionante. Num estalo passei de baiacu a modelo do Diet Shake.

Depois disso as portas se fecharam de novo e poucas vezes consegui receber e atender o chamado da natureza. Foi então que a melhor cagada da viagem aconteceu. Estávamos em Curitiba pela segunda vez, já fazendo o caminho de volta. Fomos a um rodízio de pizza para a única refeição do dia. Passando tanto tempo viajando de carro acabamos juntando o almoço com o jantar. Como sempre, as mesas a nossa volta estavam vazias. A gente fala tanta besteira que as pessoas até sentam perto de nós, mas acabam se levantando e indo sentar longe para não ouvir o esgoto de nossas bocas. Não lembro se fui eu ou o namorado da minha amiga que se levantou primeiro. Vamos contar que tenha sido ele. Sem dizer nada ficou um tempo fora e ao voltar se disse impressionado com as coisas que saíam de dentro dele. Comoção... Um tempo depois, Péricles me chamou e tive que me retirar. Sumi por um bom tempo e voltei com um grande sorriso nos lábios. Comoção maior ainda... Enfim, meu outro amigo se levantou e desapareceu por mais um longo tempo. Quando voltou, todos já estávamos aguardando-o com os dentes à mostra. Foi pena que a namorada do meu amigo não tenha participado do batismo coletivo ao restaurante. Lembro que quando saí do banheiro, senti olhares estranhos das pessoas. Os meninos disseram ter passado pela mesma coisa. Não é para menos tendo em vista a sucessão de visitas demoradas à porcelana.

Mas não acaba por aí. Apesar de ter conseguido me livrar de um pouco da carga, a grande maioria dela permanecia presa dentro de mim. Minha decisão de não mais tomar o tal laxante foi boa para não passar vergonha do tipo da que passei na primeira vez em Curitiba, mas o botox na barriga realmente estava ridículo. Eu fazia o que podia para manter a barriga murcha. Enfim, é de chocar como Péricles é caprichoso. Assim que cheguei em casa, já de volta ao Rio, o safado resolveu me golpear violentamente. Sem brincadeira, dessa vez não sobrou nada. Acho que mais um pouco e alguns órgãos teriam saído junto com a carga pesada. Virei modelo de novo.

De volta à rotina, acho que o relógio vai funcionar de novo.

Postado por Maria de Fatima às 11:44
Solta o verbo!



Terça-feira, Dezembro 14, 2004

Era uma vez um gafanhoto bêbado. Pulava, dançava e cantava até que um dia explodiu. Tinha tanta birita na veia que os pés incharam até explodir. Não morreu, mas o sangue com altíssimo teor alcoólico escorreu até uma fogueira que uns meninos tinham acendido na floresta para aquecerem-se no sereno daquela noite de outono. Assim que atingiu a fogueira, o álcool entrou em combustão e foi queimando e queimando até o gafanhoto perceber a proximidade do fogo e sair correndo em fuga. Infelizmente o fogo foi mais rápido e o pobre acabou carbonizado. O enterro será hoje à noite, um pouco mais tarde que a hora em que todos estarão dormindo. Retornando ao pó, há de adubar a terra e alimentar as plantas. Viva o silêncio, pois hoje o sono é eterno.
Postado por Maria de Fatima às 20:21
Solta o verbo!



Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Estou tentando voltar. Agora que o tempo parece jorrar, talvez eu consiga. Não ando rindo muito da vida. Faço a escolha errada e ela domina minha vida por décadas. Faço a escolha certa e antes que eu pisque os olhos, o que é doce se acaba.
Se o tempo jorra, pode ser uma boa matar a covardia.
O Sol se pôs hoje para mim um pouco antes das quatro da tarde. Vai ser um verão polar.
Um abraço para quem quiser.

Postado por Maria de Fatima às 20:07
Solta o verbo!



Quinta-feira, Outubro 21, 2004

Todo santo dia topo com o joelho no mesmo lugar. Foi um obstáculo que pus na entrada do meu quarto. Todo dia dou um pouco mais de vida e cor aos hematomas das minhas pernas.

E quem disse que a dor e as marcas são o bastante para me fazer desobstruir a passagem?

Postado por Maria de Fatima às 16:14
Solta o verbo!



Sábado, Setembro 11, 2004

CAMISA DE FORÇA JÁ!

Sei que não terminei de contar sobre a Flip e nem falei da viagem. Tantas coisas aconteceram que perdi o fio da meada. Pelo menos dei uma atualizada no template. Mesmo assim, quero contar uma que me aconteceu no segundo dia após o retorno ao Rio de Janeiro. Voltei com força total...

Era sábado à noite e tinha combinado de sair com a Tati e a Carol. Carol estava em um jantar com uma outra amiga, a Clarice, e todas iríamos juntas para um festival de música eletrônica no Catete. Marcamos um horário e passei na casa da Tati para pegá-la. Depois fomos para a portaria do prédio da Clarice para encontrar com ela, a Carol e mais uma amiga da Clarice, Fernanda.

Quando chegamos, elas ainda estavam a caminho, mas não demoraram muito. Clarice chegou com Carol e pararam o carro na garagem. Fernanda parou o carro em frente ao prédio, mas ficou com receio de deixá-lo ali por conta da sabida falta de segurança da área. Sendo assim pediu para que a acompanhássemos até sua casa (era caminho) para que deixasse seu carro na garagem e depois fosse conosco no meu. Até aí tudo bem. Sempre tem o "até aí tudo bem"...

Continuando... É claro que concordei com a sugestão da moça e fiquei aguardando que ela saísse com seu carro para que eu pudesse seguí-lo. Enfim, num típico e freqüente momento de memória de peixe, logo que ela saiu na minha frente, esqueci completamente que deveria seguí-la e fui dirigindo calmamente como se nada estivesse acontecendo. Não precisou passar nem um quarteirão para que eu me desligasse totalmente da realidade e inventasse uma só minha. Ninguém desconfiava do tilt mental que acabara de me acometer.

Na Auto-Estrada Lagoa-Barra, na bifurcação entre o Leblon e o Jardim Botânico, perguntei para onde devíamos ir. Clarice respondeu tranqüilamente, pensando que eu tinha me perdido do carro da Fernanda. Durante o caminho fui perguntando para onde ir e as respostas todas vieram como a primeira. Na última é que me lembrei que deveria estar seguindo a guria.

Eu: Pra onde agora?
Clarice: Entra aqui à esquerda e pára ali no posto. Acho que aquele carro ali é o dela esperando a gente.

Assim que vi o carro tomei um susto e gelei por dentro com a tamanha falta de sanidade que me ataca cotidianamente. De fato eu não lembrava estar seguindo a Fernanda, mas o pior é que todas as perguntas em relação à direção que fiz foram direcionadas a ela, como se ela estivesse no meu carro! Eu podia jurar que ela estava no carro comigo, Carol e Clarice. Lógico que isso não faz o menor sentido, mas deixei há muito de achar que qualquer coisa na minha cabeça faz sentido.

Postado por Maria de Fatima às 19:18
Solta o verbo!



Terça-feira, Setembro 07, 2004

Tenho muitas histórias para contar, mas as circunstâncias têm me impedido. De qualquer maneira, vim aqui tentar recomeçar ou, ao menos, continuar.

Passando por um momento de crise em várias áreas da vida, tenho tentado evitar situações de possível conflito. Adianta evitar alguma coisa? Quando tem que acontecer, é inevitável.

No domingo, mais uma vez caí aqui em casa. Me estabaquei toda no chão após mais uma pequena decepção. Logo antes de sair para um compromisso naquela tarde, levantei do computador e fui me pendurar numa barra que havia na porta do meu quarto. Tinha me esquecido de que a segurança da barra era precária e fui com tudo para me elevar. Com tudo foi a queda de joelhos no chão segurando a barra com as duas mãos. Drama, dor e sangue.

Poucos momentos mais tarde, mais problemas. Fiquei séculos tentando parar o carro em uma ladeira muito íngreme até que chegou uma moça pedindo que eu retirasse o meu carro para que ela, que mal deve ter freqüentado a auto-escola, pudesse sair com o dela. Depois de completada a saga do estacionamento, tive dificuldades de sair do carro por causa da inclinação da rua e a porta se fechou na perna que tinha ficado mais danificada após a queda de minutos antes. Não preciso dizer que fiquei com aspecto de mulher que sofre abusos em casa. Uma amiga disse: "Pô, Fátima, você parece um moleque de 10 anos de idade!" Pena que tantos acidentes não sejam fruto de momentos divertidos.

Na segunda planejei fazer coisas amenas. Tenho tentado fazer apenas coisas suaves, calmas, de gente idosa mesmo, para relaxar a cabeça e o corpo cansado e açoitado. Acabou que, para variar, uma reunião bizarra às dez e meia da noite brotou e desisiti de pôr os pés para fora de casa antes disso. Fui para a tal reunião com os coleguinhas. Chegamos um pouco antes da hora justamente porque tínhamos mais o que fazer depois ou simplesmente precisávamos nos desligar do mundo. Cada um com a sua restrição. O rapaz com quem tínhamos a tal da reunião não chegava nunca. E terminou por não chegar mesmo. Lá por volta da meia-noite nos falamos por telefone e decidimos remarcar. Não é preciso dizer que ficamos um tanto frustrados. Normal, acontece.

O que não devia acontecer foi depois. Ficamos conversando um tempo sobre maneiras de resolver uns problemas aí e depois levei uma coleguinha em casa. Eu e o outro coleguinha estávamos bem para baixo e decidimos comer uma coisa qualquer em uma loja de conveniência de posto de gasolina. Rodamos a Lagoa inteira em busca de uma que tivesse um podrão mais decente e que tivesse o menor número de pessoas possível. Acabamos em uma a que costumamos ir sempre quando ensaiando na casa de um colega ali perto. Lá tinha Bob's. Fizemos o nosso pedido e fomos comer no carro justamente para evitar qualquer contato humano.

Repito: tem coisas que não dá para evitar.

De repente chega um carro e estaciona do nosso lado. Não sei bem por quê, mas eu e meu amigo sentimos uma coisa ruim no ar. Foi aí que o mané na carona do outro carro abriu a porta com violência em cima do meu. Educadamente, mas com firmeza, fiz uma reclamação procedente sem utilizar nenhuma palavra de calão. O homem, que estava visivelmente bêbado, ficou resmungando e me xingando de tudo que era nome e foi para a loja de conveniência. Um amigo dele tentou ser simpático conosco brincando e pedindo desculpas pela grosseria do colega. O outro lá, estava possuído pelo demônio. Achou que eu estivesse reclamando com o amigo dele e voltou de onde estava para me xingar ainda mais. Meu amigo mostrou o dedo para ele. O cara ia e voltava até que a gente resolveu terminar nossa refeição com os vidros do carro fechados. Foi então que ele se reaproximou demais e parecia que a qualquer momento resolveria entrar no carro do amigo dele de novo com a mesma delicadeza de antes. Dei a partida imediatamente com a tranca ainda no câmbio só para me afastar o mais rápido possível daquele estorvo. Só então é que removi a tranca e segui o caminho de casa.

E sim, ele arranhou o meu carro. Eu sou uma puta, piranha, babaca, cachorra e vagabunda porque estava quieta no meu canto até o maldito momento em que o imbecil resolve que há coisas que, como a luz, não ocupam lugar no espaço.

Eu mereço mesmo... cada farpa que me entra na pele, cada tropeço, cada pancada, cada grosseria que me fazem, cada falta de respeito, consideração e reconhecimento.

Definitivamente a culpa é toda minha. Só minha.

Postado por Maria de Fatima às 10:50
Solta o verbo!



Terça-feira, Agosto 31, 2004

Communication (The Cardigans - Long Gone Before The Daylight)

For twenty seven years I've been trying
To believe and confide in
Different people I found...

Some of them got closer than others,
And some wouldn't even bother,
And then you came around.

I didn't really know what to call you,
You didn't know me at all,
But I was happy to explain.

I never really knew how to move you,
So I tried to intrude through
The little holes in your veins.

And I saw you.
But that's not an invitation,
That's all I get,
If this is communication,
I disconnect...
I've seen you, I know you,
But I don't know how to connect,
So I disconnect...

You always seem to know where to find me,
And I'm still here behind you,
In the corner of your eye.

I'll never really learn how to love you,
But I know that I love you,
Through the hole in the sky,

Where I see you
And that's not an invitation,
That's all I get.
If this is communication,
I disconnect...
I've seen you, I know you,
But I don't know how to connect,
So I disconnect...

Well, this is an invitation,
It's not a threat,
If you want communication,
That's what you get.
I'm talking and talking,
But I don't know how to connect.

And I hold... a record for being patient
With your kind of hesitation.
I need you, you want me,
But I don't know how to connect,
So I disconnect,

I disconnect...

Postado por Maria de Fatima às 14:43
Solta o verbo!



Sábado, Agosto 21, 2004

"Agradecemos sua participação no processo seletivo.

Neste momento não foi possível aproveitá-lo (a) para a próxima etapa do processo. No entanto, seus dados serão mantidos em nosso cadastro para futuras oportunidades."

...

E toma de novo...
E de novo...
E de novo...

Talvez eu ainda não tenha entendido a função de tudo isso.
Às vezes não consigo manter o bom humor. Ainda bem, porque me reconheço um pouco mais humana.

Auto-estima pra que te quero...

Vivendo as reticências de mim esboço.

Cansaço. Quero dormir.

Postado por Maria de Fatima às 03:04
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Terça-feira, Agosto 17, 2004

Escrita para mim

Adoro essa música há uma data e descobri que foi regravada pelo Otto. Parabéns à brilhante participação do Xico Sá no clipe!!!

Imbatível mesmo é a versão do Roberto Carlos.

E é do ano do meu nascimento... É muita predestinação!

Pra ser só minha mulher(1977)
Ronnie Von - Tony Osanah

Ah! Esse amor que me arrasta
Me gasta e me faz sofrer
Mas me devolve a vida escondida
Em quartos que eu não quis dormir

Ah! Esse amor bandido, contido,
Quer me machucar
Mas só me traz verdades que a idade
Toda não consegue dar

Abra os braços pra me guardar
Que eu todo vou me entregar
Começo, meio e fim
E a minha cuca ruim
Aperte a minha mão
Esse caminho é a solução
Pra lhe levar se quiser
Pra ser só minha mulher

Ah! Esse amor selvagem
Passagem pra loucura e pra dor
Mas eu confio na sorte, eu sou forte
Como o bicho mais feroz

Ah! Esse amor aflito
Que eu grito e ninguém pode ouvir
Mas me entrega um sonho que eu componho
Em versos pra você dormir

Abra os braços pra me guardar
Que eu todo vou me entregar
Começo, meio e fim
E a minha cuca ruim
Aperte a minha mão
Esse caminho é a solução
Pra lhe levar se quiser
Pra ser só minha mulher

Aperte a minha mão
Esse caminho é a solução
Pra lhe levar se quiser
Pra ser só minha mulher

Abra os braços pra me guardar
Que eu todo vou me entregar
Começo, meio e fim
E a minha cuca ruim



Postado por Maria de Fatima às 17:11
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